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Créditos de carbono vão beneficiar o Brasil

GM, Meio Ambiente, p. A7
08 de nov de 2004

Créditos de carbono vão beneficiar o Brasil

O Protocolo de Quioto - compromisso assumido entre países membros da ONU para a redução da emissão de gases de efeito estufa na atmosfera - deverá colocar o Brasil entre os três maiores mercados do mundo para vendas de crédito de carbono, garantem os especialistas Adriano Ferreira de Sousa, gerente da área de Corporate Finance da Deloitte, e Nuno Cunha e Silva, diretor da EcoSecurities para a América Latina.
A realização dessa possibilidade torna-se iminente com a ratificação do protocolo, na sexta-feira, pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin. Sem adesão russa, o protocolo, que não foi assinado pelo Estado Unidos e pela Austrália, entre outros países, não entraria em vigor, já que para a sua vigência era necessária a adesão de 55% dos países industrializados responsáveis pela emissão em 1990 de 55% dos gases do efeito estufa.
O protocolo define uma meta para os maiores países poluidores (chamados países do Anexo I) de redução de 5,2% das emissões feitas em 1990. A meta deve ser atingida entre 2008 e 2012, sob pena de multas. Para se colocar o Protocolo de Quioto em prática, criou-se um mecanismo que vai além dos objetivos de redução de gases de efeito estufa na atmosfera, já que visa também a promover o desenvolvimento sustentável para os países que não sejam do Anexo I, entre os quais, o Brasil. Esse instrumento chama-se MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo).
O MDL possibilita aos países do Anexo I que paguem suas contas comprando os créditos de carbono gerados por projetos desenvolvidos em países fora do Não-Anexo I (geralmente países em desenvolvimento, como o Brasil), normalmente a custos menores do que se esses projetos fossem desenvolvidos em seus próprios países.
Os custos de adaptação às novas regras ambientais são geralmente mais elevados às empresas nos países poluidores para mudar plantas e tecnologias, o que torna mais atraente a compra de certificados validados por entidades oficiais e controlados por um comitê da ONU criado especialmente para esse fim. Independentemente do Protocolo de Quioto, observa Adriano de Sousa, os principais países da União Européia já assumiram o compromisso de colocar em prática, a partir de 1o de janeiro de 2005, o MDL. "O mercado de novos projetos ambientalmente corretos deverá crescer muito, no Brasil e no mundo".
Disso é evidência a aprovação, por parte do governo, dos dois primeiros projetos de MDL desenvolvidos no País. "Outros doze projetos estão prontos para aprovação, alguns estão sendo desenvolvidos e muitos outros surgirão", prevê o consultor da Deloitte. Embora o protocolo não tenha entrado em vigor, nos cinco primeiros meses de 2004 foram negociados 64 milhões de toneladas de CO2 Equivalente, próximo ao montante negociado ao longo de todo o ano de 2003 (78 milhões). As perspectivas desse mercado dependem, no entanto, de conhecimentos que vão além de fatores ambientais. Nesse contexto, a Deloitte, maior organização do mundo prestadora de serviços de auditoria e consultoria, criou um grupo de especialistas em diversas áreas para auxiliar empresas na identificação de projetos que redimem emissões de gases do efeito estufa e que obedecem aos requisitos do MDL. A Deloitte adaptou suas técnicas financeiras para atender às especificidades desse mercado, já que os projetos de maior porte requerem uma comprovação de sua sustentabilidade financeira. Além disso, a área de Corporate Finance da Deloitte analisa a taxa de retorno considerando as receitas geradas com a venda dos créditos e os investimentos e custos adicionais necessários à sua adequação ao MDL.
A Deloitte passou a atuar conjuntamente com a líder mundial no desenvolvimento de projetos e na comercialização de créditos de carbono, a EcoSecurities. A empresa, com sede em Oxford (Reino Unido) e subsidiária no Rio de Janeiro, já desenvolveu projetos em aproximadamente 40 países com potencial de geração e comerialização, até 2012, de 100 milhões de toneladas de CO2, o que corresponde a cerca de US$ 500 milhões em créditos de carbono. A ação conjunta com a EcoSecurities será importante para a Deloitte se diferenciar em um mercado com grandes perspectivas no Brasil.

GM, 08/11/2004, Meio Ambiente, p. A7

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