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Crédito de carbono a partir do arroz

GM, Meio Ambiente, p. A6
28 de set de 2004

Crédito de carbono a partir do arroz

Empresas gaúchas vão investir R$ 40 milhões em geração de energia elétrica com biomassa. Os resíduos da rizicultura vão gerar energia elétrica e possibilitar a negociação de créditos de carbono no Rio Grande do Sul. A Josapar e a Cooperativa Agroindustrial de Alegrete Ltda. (Caal) vão construir três usinas termelétricas que produzirão energia a partir da queima da casca do arroz. A previsão para entrada em funcionamento é outubro de 2006.
No último fim de semana, a Secretaria de Energia, Minas e Comunicações do estado confirmou a assinatura de um termo de compromisso para compra de créditos de carbono pela empresa holandesa Biomass Tecnology Group (BTG), parceira da gaúcha PTZ Fontes Alternativas, responsável pela formulação dos projetos. O volume previsto de recursos que serão obtidos com a venda dos créditos é da ordem de R$ 8 milhões.
A Josapar vai entrar na negociação com uma usina de 8 MW de capacidade em Pelotas e outra de 6 MW em Itaqui, e a Caal com um projeto de 3,8 MW em Alegrete. "Este é um acordo inédito do Brasil, resultado de nossa visita a Holanda no mês de julho. O Rio Grande do Sul larga na frente, sendo o primeiro estado a garantir a compra de créditos de carbono a partir da biomassa no País", afirma o secretário de Energia, Minas e Comunicações, Valdir Andres.
A negociação financeira deverá ser feita ainda com o intermédio do Prototype Carbon Fund, fundo do Banco Mundial para negociação de certificados de emissão reduzida (CERs), ou créditos de carbono. A expectativa é a tonelada equivalente de gás carbônico (CO2) seja vendida por US$ 5.
As empresas deverão investir R$ 40 milhões nos três projetos, com financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O início das obras está previsto para agosto do próximo ano. "As três usinas de geração de energia limpa no Estado devem gerar cerca de 40 empregos diretos e 100 indiretos", informa o secretário Andres.
Estas três termelétricas de biomassa integram a lista de cinco projetos que serão autorizados para entrar em funcionamento na segunda fase do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa) no mês de outubro. Juntos eles devem gerar 28 MW de energia utilizando a casca de arroz. As outras duas usinas de biomassa devem ser instaladas em Bagé (3,8 MW) e Camaquã (3,5 MW).
O investimento total nas termelétricas com uso de biomassa no estado deve alcançar R$ 70 milhões. "A capacidade do estado de gerar energia a partir de biomassa é de até 250 MW. Temos um grande potencial a ser explorado", diz Valdir Andres.
A venda dos créditos deverá cobrir 20% do montante investido nas usinas. "Além da negociação dos créditos e da venda da energia gerada através do Proinfa ou do mercado atacadista, há o benefício ambiental, que é dar uma destinação adequada para os resíduos da cultura do arroz", acrescenta Andres. Cada MW/h gerado com biomassa evita a emissão de 360 quilos de carbono na atmosfera, quando comparado à queima do carvão para o mesmo fim.
A Holanda é um dos 39 países que estão obrigados pelo Protocolo de Quioto a reduzir, de 2008 a 2012, emissões de CO2, o mais nocivo de todos os gases de efeito estufa, e outras substâncias nocivas a um índice 5,2% menor do que o índice global registrado em 1990. Para tanto, a Holanda prevê investir € 400 milhões em créditos de carbono e em ações dentro do seu próprio território. Apesar do Protocolo não ter sido ainda ratificado, o governo holandês já possui dotação orçamentária para financiar esse mercado. A aquisição dos créditos é feita por empresas privados, com recursos federais.

GM, 28/09/2004, Meio Ambiente, p. A6

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