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Crédito de carbono já é bom negócio em Chicago

GM, Agronegócio, p. A1 e B12
23 de Jun de 2005

Crédito de carbono já é bom negócio em Chicago

Em busca de ganhos financeiros e institucionais, empresas brasileiras do setor florestal apostam suas fichas na entrada na Chicago Climate Exchange (CC X ), bolsa americana onde são negociados os créditos de carbono. "A CCX reúne vendedores e compradores de créditos de carbono, cuja negociação é ótimo cartão de visitas para as empresas",avalia Marcelo Schmid, da consultoria florestal
STCP Engenharia de Projetos.
O ingresso da Votorantim Celulose e Papel (VCP) nesse mercado já foi aprovado pela CCX. Serão negociadas 850 mil toneladas de créditos de carbono, resgatadas em 8,5 mil hectares de florestas no Vale do Paraíba e na região de Ribeirão Preto.
A VCP define a empresa certificadora para checagem das informações apresentadas à CCX. A expectativa é que a negociação se inicie no segundo semestre, diz o gerente de desenvolvimento florestal, Walter Jacob.
Crédito de carbono já é bom...
A CCX, mercado paralelo ao do Protocolo de Quioto, agrega empresas de vários países e é auto-regulamentada por seus membros. Os signatários de Quioto assumiram compromisso de reduzir a emissão dos gases causadores de efeito estufa em 5% até 2012.
O interesse das empresas brasileiras do setor na CCX deve-se também à incerteza sobre a definição das regras do Protocolo de Quioto a respeito das florestas plantadas. "A questão florestal ainda não está totalmente regulamentada", diz o Luis Cornacchioni, gerente da Divisão de Recursos Naturais da Suzano Papel e Celulose.
"Na CCX, podemos obter recursos a mais com as florestas plantadas, nas quais o investimento já foi feito", avalia Jacob, destacando também o aspecto institucional de ser uma empresa que contribui para a absorção de gases poluentes.
Negociação
Em outubro do ano passado, a Suzano foi habilitada a vender, na CCX, 5 milhões de toneladas de carbono, originadas de 40 mil hectares de florestas de eucalipto do sul da Bahia. "Na época, o valor médio da tonelada estava próximo de US$ 1,07. Desde então, houve uma valorização significativa, impulsionada pela entrada em vigor de Quioto", conta Cornacchioni. Ontem, o crédito de carbono referente à posição de 2005 fechou cotado a US$ 1,73 no pregão da CCX.
Membro efetivo
A Aracruz Celulose assinou termo de adesão à CCX, tornando-se membro efetivo em maio. "Fomos a primeira empresa brasileira a assumir o compromisso de redução; as demais apenas comercializam créditos de carbono", conta o gerente de meio ambiente corporativo da Aracruz Celulose, Ricardo Rodrigues Mastroti.
O projeto da Aracruz trata do seqüestro de 100 mil toneladas de carbono por florestas da empresa na Bahia e no Espírito Santo de 2003 a 2006. Segundo Mastroti, a adesão à meta da CCX implica na redução de emissões em 1% em 2003, 2% em 2004, 3% em 2005 e de 4% em 2006. "As empresas devem demonstrar que a meta foi atingida desde o início ou terão que cumpri-la retroativamente", diz. Segundo ele, as motivações da Aracruz para entrar CCX foram a preocupação com ambiente e o reforço da imagem junto aos clientes.

GM, 23/06/2005, Agronegócio, p. A1, B12

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