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Crack avança na tribo dos tapebas

O Povo (CE) - http://opovo.uol.com.br/
Autor: Lucinthya Gomes
19 de jun de 2010

Lideranças do povo tapeba, em Caucaia, começam a se preocupar com o avanço do crack entre os indígenas. "A ação do crack ainda é tímida por aqui, mas a gente já vê os jovens fazendo uso. Começou há cerca de dois anos. A gente tem medo que isso gere violência em vários aspectos, ou por agressões contra a família, ou por roubos", teme o professor Santos Tapeba, da Escola Diferenciada de Ensino Infantil, Fundamental e Médio Índios Tapeba. Para ele, além da ausência do poder público, a demarcação de terras indígenas facilita a entrada do "homem branco" (população não indígena), que leva as mazelas urbanas até a comunidade.

A líder comunitária Raimunda Tapeba cita o caso do próprio filho, que se envolveu com a droga. "A mulher dele não aguentou. Foi embora e levou os dois filhos. Depois disso ele resolveu parar. Que Deus dê força a ele, para que ele consiga se manter longe das drogas", disse Raimunda. Para reverter o problema, ela defende que um começo seria fechar os bares que se instalaram dentro da comunidade. "Minha maior preocupação é proteger as crianças. São muitas por aqui", afirma.

O professor Santos, por exemplo, já ouviu relatos de índios que usavam crack 15 vezes por dia. "O efeito passa rápido, o que leva a consumir cada vez mais". Em sala de aula, ele tenta trabalhar o assunto com os jovens. Para ele, a intervenção do poder público é necessária não só para prevenir, como também para criar unidades de tratamento para dependentes químicos.

Diante da situação, a Fundação Nacional do Índio (Funai) tem realizado capacitações e seminários para tratar assuntos pertinentes à realidade da juventude indígena. "Os próprios jovens falaram sobre a existência de drogas ilícitas dentro das comunidades indígena. Eles nos deram um diagnóstico e apresentaram demandas", disse Weiber Tapeba, do setor de assistência da Funai. Segundo ele, a Funai já procurou a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) para atender aos pedidos dos índios, pois o caso é de saúde pública.

"Pedimos à Funasa um Centro de Referência de Assistência Social (Cras), que beneficiaria toda a população dos tapebas. Estamos aguardando resposta", afirmou Weiber, acrescentando que a experiência de Cras em povos indígenas já existe em quatro municípios do Ceará. Paralelo a isso, a Funai tem discutido com a Funasa e com a Secretaria Nacional Antidrogas, ligada à Presidência da República, a possibilidade de montar uma oca comunitária semelhante à do Projeto Quatro Varas, do Pirambu. Neste mês, dois índios tapebas participarão de um curso de formação em terapia comunitária em Porto Seguro, na Bahia. Os dois poderão fazer um trabalho voltado para índios com dependência química, diz Weiber.

E-MAIS

>A Polícia Militar, em parceria com o Município de Caucaia, implantou o Programa Educacional de Resistência à Droga e à Violência (Proerd) atendendo a crianças tapebas. O objetivo é realizar atividades com crianças de 8 a 12 anos, com o intuito de prevenir a violência.

> O povo tapeba conta com 7 mil índios em 17 comunidades. De acordo com Weiber Tapeba, um Cras em Caucaia beneficiaria toda essa população.

> No Ceará, já existem experiências de Cras em comunidades indígenas em Maracanaú (para o povo pitaguary), Aquiraz (para os genipapo-kanindés), Cratéus (no povo potiguara, que também atende tabajara,kariri, tupinambá) e Itarema (que atende o povo tremembé).

http://opovo.uol.com.br/app/o-povo/fortaleza/2010/06/19/int_cidades,201…

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