Agência Brasil
Autor: Amanda Cieglinski
23 de Abr de 2008
Brasília - Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Organizações Não-Governamentais (ONGs) apresentaram hoje (23) documentos que apontam indícios de tráfico de influência e uso irregular de dinheiro público pelo diretor da Editora da Universidade de Brasília (Editora UnB), Alexandre Lima. Para os senadores, o depoimento do diretor, que durou cerca de três horas, não foi satisfatório.
"Ficou bem clara a necessidade de aprofundar a investigação. O depoente foi muito superficial, fugiu das respostas mais claras, fica muito claro que há desvio de dinheiro público", afirmou o presidente da CPI, Raimundo Colombo (DEM-SC).
Durante a sessão, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) apresentou dados do Ministério Público e do portal Transparência Brasil que apontam relações pessoais e familiares de Lima com empresas que receberam recursos da universidade para a execução de projetos. A Editora UnB é a gestora de projetos executados pela Fundação Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico na Área de Saúde (Funsaúde), que é contratada via convênio por órgãos como a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Entre essas empresas está a LMR Softwares, da qual o filho de Lima e o ex-marido da atual esposa dele são sócios. A LMR teria recebido R$ 100 mil da Funsaúde em 2007. Outra irregularidade estaria no convênio da editora com o Instituto Universitas, ONG que é de propriedade de uma funcionária da editora, Maria Delzeni Ribeiro. A filha de Delzeni foi sócia do filho de Alexandre na Poranduba Comunicações, empresa que também recebeu verbas para execução de projetos da universidade.
Lima não negou suas relações pessoais e familiares com as pessoas e empresas citadas, mas não deu mais informações sobre os tipos de serviços prestados, valores ou período. Em muitas perguntas, limitou-se a dizer que os contratos eram de responsabilidade da Funsaúde. Sobre o uso de dinheiro de programas de saúde indígena da Funsaúde para pagar festas, passagens aéreas e canetas de luxo, Lima explicou que essas eram demandas da reitoria, que ele acatava.
A CPI decidiu convocar o diretor da Funsaúde para prestar mais esclarecimentos e abrirá requerimentos pedindo a quebra de sigilo bancário de Lima, das contas da Editora UnB e de outras pessoas envolvidas. Será convocado a prestar depoimento também o dono da empresa MI Management, que segundo Colombo teria recebido de 2005 a 2007 mais de R$ 2 milhões da Editora UnB e outros R$ 1,5 milhão da Funsaúde. De acordo com Colombo há sérios indícios de que essa seja uma empresa-laranja.
Para o senador Wellington Dias (PT-PI), a UnB está "pagando a conta" de um problema muito maior que acontece nas fundações em todas as universidades do país.
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