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CPI das ONGs faz reunião secreta para tentar encontrar rumo no final dos trabalhos

Viaecológica
09 de Out de 2001

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, formada para tentar investigar irregularidades na atuação de organizações não governamentais, marcou para as 17h30 de hoje (9) uma nova reunião, onde não há qualquer depoimento previamente agendado. Com o trabalho prejudicado pela tendenciosidade da maioria de seus membros, a CPI resolveu fazer hoje uma reunião secreta para tratar de assuntos administrativos. Em seguida, se houver quorum, tentará votar requerimentos para convocar novos depoimentos. Até agora, o único fato concreto que conseguiu abordar foi o suposto envolvimento de uma cooperativa indígena no contrabando do minério estratégico tantalita, usado na indústria eletrônica e aeroespacial, no alto rio Negro. Matéria do Fantástico (Rede Globo) no último domingo mostrou um incipiente garimpo artesanal de tantalita, no extremo norte do Amazonas. O trabalho da CPI deve encerrar-se no final do período legislativo, em meados de dezembro, e há o receio da parte dos senadores de que nada possa ser apresentado à sociedade que demonstre o envolvimento de ONGs de âmbito nacional com atividades irregulares. Outro fio de investigação que tentam seguir é a tese da bancada ruralista, segundo a qual estaria em curso um processo de internacionalização da Amazônia, com a aquisição de terras por estrangeiros - o que supostamente justificaria alterar o Código Florestal, como eles querem, para permitir maior desmatamento sob a desculpa da ocupação por empresas agropecuárias nacionais. Esta semana o Incra cancelou os títulos de terra de milhares de hectares na Amazônia que estavam em nome de uma destas ONGs de fachada, por descobrir que as terras eram griladas e pertenciam, na verdade à União. O governo demonstrou, com isso, que não se trata de nenhuma conspiração, mas de ações isoladas que podem ser facilmente identificadas e coibidas quando há vontade política neste sentido. A CPI das ONGs não conseguiu o apoio do general Alberto Cardoso, do gabinete de segurança institucional, para falar contra as ONGs - mesmo porque ele defende a importância do papel da sociedade organizada para suprir as lacunas do estado

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