Jornal do Commercio-Manaus-AM
03 de Fev de 2005
Mais de mil peças de artesanato indígena brasileiro, produzidas com partes de animais em extinção, foram apreendidas nos Estados Unidos, em uma megaoperação policial que contou com a participação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Biopirataria, da Câmara, e da Funai (Fundação Nacional do Índio). A operação, concluída na semana passada, foi conduzida pela Polícia Federal brasileira e pela U.S. Fish and Wildlife Service, conhecida como o "FBI das Florestas".
O presidente da CPI da Biopirataria, deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), esteve nos Estados Unidos e se surpreendeu com a rede montada para a produção e a venda ilegais do artesanato.
A rede era chefiada pelo norte-americano Milan Hrabovsky, o Milano, que é casado com uma amazonense. Ele já está preso e pode ser condenado a até cinco anos de prisão.
Remessa feita pelo Sedex
Segundo o deputado, Milano aliciava índios de 30 aldeias da Amazônia para produzir peças com partes de arara-azul, gavião real, tamanduá-bandeira e jacaré, além de cabeças de macaco, dentes de onças e cascos de tatu e tartaruga, todos ameaçados de extinção. O material ilegal era enviado para os Estados Unidos via Sedex, sem fiscalização dos órgãos responsáveis.
O próximo passo da investigação será identificar a conexão brasileira na rede internacional de pirataria. "Esse material será periciado e ajudará na investigação da possível participação de brasileiros, inclusive de funcionários públicos, nesse esquema de produção em série", diz Mendes Thame.
O deputado já adiantou que os trabalhos da CPI, previstos para terminar em abril, serão prorrogados. "Nós ainda temos que ouvir muita gente.
A partir desses depoimentos, vamos ter informações sobre o conhecimento que as pessoas têm da legislação, a fiscalização, o nível de conscientização ambiental. É preciso investimento para reverter essa situação", explica.
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