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Covid-19 mata mais quilombolas na Amazônia do que em qualquer outra localidade da América Latina, diz estudo

G1 AM - https://g1.globo.com/am/amazonas/natureza/amazonia/noticia/2020/06/28/covid-19-mata-mais-qui
Autor: Rebeca Beatriz
28 de jun de 2020

Pesquisa mostrou que estados da Amazônia representam 63% das mortes causadas pela doença entre populações mocambeiras e quilombolas.

Os estados do Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia e Maranhão, localizados na região amazônica, respondem atualmente por 63% das mortes causadas pela Covid-19 entre populações mocambeiras e quilombolas (povos descendentes de escravos) do Brasil.

Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ambientes Amazônicos da Universidade Federal do Amazonas (Nepam/Ufam), e mostram que a Covid-19 mata mais quilombolas na Amazônia que em qualquer outra localidade da América Latina.

Diante do avanço da pandemia do coronavírus, as populações cujo acesso às políticas de assistência social mais limitado vêm sendo afetadas diretamente com a rápida disseminação do vírus nessas localidades. Os quilombolas da Amazônia são o exemplo mais simbólico desses impactos, de acordo com o estudo.

O levantamento é fruto da tese de doutorado do historiador Ítalo Ferreira de Oliveira, que desenvolve um estudo no interior do Amazonas, no município de Barreirinha, distante 330 km de Manaus. Com a pandemia, surgiu a preocupação a respeito da forma do enfrentamento, resistência e de letalidade do vírus entre os quilombolas.

"A taxa de letalidade mundial de coronavírus oscila entre 0,9% e 1,2%, sendo que na Amazônia Brasileira e na Panamazônia a taxa de mortalidade entre quilombolas chega a 17%", explicou.
Segundo dados da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), no Brasil existem mais de 650 mil famílias autodeclaradas como povo tradicional.

No Amazonas, existem oito comunidades quilombolas, sendo cinco em Barreirinha, uma em Itacoatiara, uma em Novo Airão e uma em Manaus, situada no bairro Praça 14 de Janeiro, na Zona Centro-Sul da capital.

Apesar do Amazonas não ter registrado mortes entre os quilombos, segundo a pesquisa, o estudo diz que a ausência de uma política de governo que atenda as necessidades das populações tradicionais logo fará com que aconteça registro de óbitos. No estado, o total de casos confirmados da doença já ultrapassa 68 mil, até esta sexta-feira (26).

"Essas pessoas são consideradas refugiadas dentro do seu próprio país. Não há um projeto ou uma política de governo que inclua essas populações tradicionais, e é por isso que há esses números alarmantes", concluiu.
Temendo a entrada do vírus na comunidade Rio Andirá, os quilombolas da região estão, por conta própria, controlando a entrada e a saída de pessoas no local. Segundo a moradora da comunidade, Maria Amélia Castro, dois grupos, cada um com 8 quilombolas, se dividem em turnos.

"Nós ficamos de plantão para não deixar ninguém de fora entrar na comunidade, para impedir que o vírus chegue na nossa comunidade. Cada quilombo está no seu quilombo, para a nossa segurança. A medida é necessária", contou.

Países vizinhos
O estudo, realizado pelo Subcomitê de Combate à Covid-19 da Ufam, sob a coordenação do professor Renan Albuquerque, faz, um comparativo da situação da mortalidade em quilombolas na Amazônia com países vizinhos.

Na Região Amazônica se situam atualmente dois terços de todos esses casos de óbitos. São 71 mortes e 44 delas já aconteceram em comunidades quilombolas do bioma, segundo o levantamento.

"Os dados indicam que a Amazônia brasileira abriga a mais alta taxa de mortalidade por Covid-19 para quilombolas de toda a América Latina", contextualizou Albuquerque.

Entre as nações vizinhas mais afetadas por infecções e mortes causadas pelo SARS-coV-2 dentre negros aquilombados, os pesquisadores destacam Peru, Equador e Colômbia, que em suas respectivas porções amazônicas registraram um total de pouco mais de uma centena de casos ao todo, com meia dezena de óbitos.

Comunidades quilombolas têm 700 casos de Covid-19 e 77 mortes

https://g1.globo.com/am/amazonas/natureza/amazonia/noticia/2020/06/28/c…

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