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Corte seletivo agrava desmatamento

GM, Energia & Saneamento, p.C4
01 de Nov de 2005

Corte seletivo agrava desmatamento
Raymmond Colitt/Reuters
Os danos infligidos à floresta amazônica podem ser duas vezes maiores do que se imaginava anteriormente devido ao corte seletivo de árvores que não havia sido detectado, informaram especialistas brasileiros e americanos em florestas. Os métodos convencionais de análise das imagens de satélite mostravam apenas espaços vazios de terra bem delimitados, onde todas as árvores foram retiradas para plantio ou pasto. O corte seletivo significa que árvores específicas são tiradas das florestas.
Pesquisadores da Carnegie Institution de Washington utilizaram um novo método para analisar as imagens de satélite e detectaram o corte seletivo nos cinco principais estados produtores de madeira da Amazônia brasileira. O relatório, divulgado na última edição da revista Science mostrou que as dimensões da floresta que foi danificada, levando em conta o corte seletivo, são algo entre 60% e 128% superiores à área oficialmente desmatada entre 1999 e 2002.
A fronteira agrícola brasileira que avança com enorme rapidez, e os novos projetos de estradas dos últimos anos provocaram a devastação de áreas maiores do que o estado americano de Nova Jersey. Os números oficiais mais recentes estimam uma redução da destruição em 2005. Em agosto, o governo brasileiro calculou que entre agosto de 2004 e julho de 2005 foram arrasados 9,103 quilômetros quadrados, em comparação com 18.723 quilômetros quadrados no ano anterior.
"Em comparação com a queimada tradicional, a derrubada seletiva é o menor dos males e não deve ser diretamente culpada pelo maciço desmatamento da Amazônia. O problema é que ela abre caminho para a derrubada total para a agricultura", disse José Natalino Silva, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-Amazônia Oriental, que colaborou no relatório. Ele acrescentou que o estudo não questionou a validade dos números oficiais sobre desmatamento no Brasil apresentados pela agência espacial Inpe, mas acrescentei, novos detalhes.
A derrubada seletiva, disse c relatório, aumentou em 25% c quantidade de carbono produzida pela floresta amazônica que sobe na atmosfera. Alem disso, danifica a vegetação rasteira, fazendo com que ai florestas se tornem mais secai e mais inflamáveis. "Quando você derruba uma árvore isto provoca um dano considerável no sub-bosque ", disse Gregory Asner, do Carnegie Instituto de Washington, em Stanford, Califórnia, que dirigiu o estudo. "Lá em baixo fica uma extensão de escombros ".
Vários projetos de desenvolvimento sustentável financiados pelo governo e por instituições de crédito internacionais promovem a derrubada seletiva. Mas limitam o tipo, volume e idade das árvores. "Nas florestas de manejo, na realidade, a derrubada seletiva só acelera o processo natural de morte e queda das árvores ", disse Judson Ferreira Valentim, pesquisador sênior da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
Os pesquisadores disseram que forneceriam os resultados do estudo ao governo brasileiro para ajudá-lo a combater a derrubada seletiva ilegal.
GM, 01-02/11/2005, p. C4

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