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Corte e queimadas destroem florestas

OESP, Vida, p.A18
05 de Nov de 2004

Corte e queimadas destroem florestas
Desmatamento consumiu grande parte da Amazônia e da mata atlântica. Focos de incêndio mais do que dobraram de 1998 a 2003
Karine Rodrigues
RIO - O desenvolvimento sustentável passa ao largo das duas mais extensas florestas do País. Por causa do desmatamento, a maior reserva tropical úmida do mundo, na Amazônia, acumula uma herança ambiental de 631 mil quilômetros quadrados de área bruta desflorestada, segundo dados de 2002 do IBGE. Já a mata atlântica foi quase totalmente destruída ao longo dos anos, restando apenas menos de 10% da floresta nativa, originalmente formada por mais de 1 milhão de quilômetros quadrados.
"Anualmente, na floresta amazônica, desaparece a vegetação primária de cerca de 20 mil a 25 mil quilômetros quadrados, área equivalente à do Estado de Sergipe, seja por causa de incêndios ou queimadas", diz o coordenador de Indicadores Ambientais do IBGE, Judicael Clevelário, chamando a atenção para o preço que o País vai pagar em nome do desenvolvimento econômico, já que as queimadas estão geralmente relacionadas à expansão da atividade agropastoril.
"Qual o tipo de ganho que vamos ter com esse tipo de aumento da produtividade na pecuária e na agricultura? Com a velocidade com que se desmata, a floresta vai ser destruída."
ARCO
Segundo o IBGE, o processo foi aumentando nas últimas quatro décadas e é mais acentuado nas bordas sul e leste da Amazônia Legal, área chamada de Arco do Desflorestamento, onde a destruição de mata nativa é realizada de forma indiscriminada, seja por causa da extração predatória da madeira ou para renovar ou abrir pastos e áreas agrícolas. O prejuízo é tão grande que há formações vegetais já sob risco de desaparecimento, ameaçando a maior biodiversidade do planeta.
A taxa de desflorestamento bruto acumulado na Amazônia Legal, que abrange nove Estados, considera o desmatamento de florestas primárias, ou seja, nativa, e também as secundárias, resultado da recomposição natural de uma área antes destruída. O Pará registra a maior área atingida, no período entre 1992 e 2002: 215 mil quilômetros quadrados.
Foi calculada também a taxa estimada de desmatamento, que é a razão, em porcentual, entre a área desflorestada anualmente e a área florestal remanescente. Em 2000/2001, ficou em 0,52%, número que já foi bem menor em 1991/1992: 0,38%.
Já a mata atlântica perdeu mais de 4 mil quilômetros quadrados de área nativa no período entre 1995 e 2000, ou seja, 2,45% da área total - cinco vezes maior do que a proporção de área desflorestada de restinga e quase 20 vezes mais da registrada em manguezais.
FOCOS DE CALOR
A pesquisa do IBGE mostra que a quantidade de focos de calor mais do que dobrou entre 1998 e o ano passado, subindo de 107.007 para 212.989, embora, durante o período, tenham sido usadas metodologias diferentes. O problema ocorre, principalmente, durante a estação seca, ou seja, de maio a setembro. Considerando o dado por região, o maior aumento absoluto foi registrado no Nordeste, onde houve um crescimento de quase 48 mil focos no período analisado. Proporcionalmente, o Sul lidera, com uma diferença de 277%.
Clevelário observa que o País tem um ótimo monitoramento dos focos de calor, identificando rapidamente a presença do fogo, "mas um controle do problema que não acompanha o mesmo ritmo".

Números
93 hectares de manguezal foram desflorestados entre 1995 e 2000.0 Paraná é o Estado que apresenta a maior área remanescente.
2.770 hectares de restinga foram devastados de 1995 a 2000. Em 2000, maior área remanescente encontrava-se no Rio Grande do Sul.
4,34% da área de mata atlântica do Paraná sumiu entre 1995 e 2000. Foi o Estado que mais desfiorestou esse tipo de floresta nativa remanescente no período.
13,9% das áreas de unidades de conservação são ocupadas por cerrado.
30,6% das áreas de unidades de conservação federais são ocup das por parques nacionais.
33,7% das áreas de unidades de co servação federais corresponde a florestas nacionais.

OESP, 05/11/2004, p. A18

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