GM, Rede Gazeta do Brasil, p. B13
18 de Jun de 2004
Copebrás desativa fábrica e reduz emissão de poluente
Fechamento da unidade produtora de gesso resultará na diminuição de 90% da liberação de fluoreto em Cubatão. Em consonância com sua política de gestão ambiental, a Copebrás - empresa do grupo sul-africano Anglo American - anunciou ontem a desativação de uma de suas sete fábricas do complexo industrial de Cubatão, no litoral de São Paulo. O processo de paralisação da produção, que deve ser concluído em dois anos, ocorrerá na unidade fabril de sulfato de cálcio (gesso), responsável por altos índices na liberação de fluoreto. A iniciativa proporcionará a redução de 90% dessa emissão.
Segundo o presidente da companhia, Nelson Pereira dos Reis, parte da produção será transferida para outras unidades, que utilizam equipamentos e tecnologias mais avançadas no controle dos indicadores de poluição. Atualmente, a fábrica produz 17 mil toneladas de gesso por ano. Embora atendesse à legislação ambiental, o tratamento adotado na fabricação de sulfato de cálcio na unidade não estava de acordo com a política ambiental da Copebrás e da Anglo American.
"A fábrica foi criada em associação com outra empresa e não estava com 100% dos padrões utilizados pela Copebrás", afirma o executivo. A unidade é a maior emissora de fluoreto em Cubatão, região que adotou desde os anos 80, um rígido programa de controle de poluentes.
Construída no final da década de 70, a fábrica é responsável pela produção de gesso fertilizante, usado na agroindústria e o retardante, matéria-prima para a fabricação de cimento. Reis explica que apesar dos dois produtos serem rentáveis para a companhia, o ganho ambiental superará a perda econômica. Os dois produtos eqüivalem a 5% das vendas da Copebrás, segundo o presidente da companhia. "Houve relutância da área comercial; é uma perda representativa, mas vale a pena pela questão ambiental", diz Reis.
Essa não é a primeira vez que a Copebrás desativa uma unidade em função do meio ambiente. Há alguns anos, o mesmo processo foi adotado para uma fábrica de ácido sulfúrico também em Cubatão. "Quando foi construída, em 1965, os padrões ambientais eram diferentes", comenta o gerente de produção, José Francisco da Silva Filho. Na ocasião, parte das máquinas foi transferida e a unidade destruída. Estes também são os planos para a fábrica de gesso. "Podemos manter equipamentos isolados, mas a fábrica não será reutilizada. Os funcionários serão remanejados dentro do próprio complexo ", afirma Reis.
Transformação ambiental
A exemplo das outras companhias do pólo industrial de Cubatão, a Copebrás - empresa minero-industrial que tem como foco agregar valor à rocha fosfática - adotou uma política contínua de redução de poluentes e controle ambiental na região. Desde a década de 70, a companhia investiu R$ 215 milhões em ações ligadas ao do meio ambiente. Somente nos últimos dez anos, foram aportados R$ 30 milhões. Uma das iniciativas envolve o reuso da água do complexo de Cubatão. Atualmente, 80% da água é reutilizada, mas a meta é atingir 100%. Para isso, a empresa investirá US$ 7 milhões nos próximos dois anos.
A Copebrás não é a única a investir em políticas de gerenciamento ambiental. Os aportes totais para gestão de meio ambiente somam mais de US$ 600 milhões. Desde a criação do Programa Ambiental de Cubatão, em 1982, as estratégias das mais de 20 empresas do pólo industrial passaram a ser desenvolvidas atreladas a uma visão de redução na emissão de poluentes.
Pioneira na implantação de um pólo industrial, Cubatão sofreu os danos da falta de planejamento. Apesar da proximidade com o maior porto da América Latina, da fartura de água e da abundância de energia elétrica, a localização geográfica não era a mais adequada para sediar indústrias dos ramos petroquímicos/siderúrgico. O resultado foi uma crítica situação ambiental, acarretada pelo despejo de produtos químicos na atmosfera, rios e solos da cidade. Na época do lançamento do programa, por exemplo, um inventário detectou a presença de 320 fontes primárias de poluição. "Cubatão tinha uma imagem de poluição e degradação ambiental", explica o consultor para meio-ambiente da Copebrás, Eduardo SanMartin.
O consultor da Copebrás afirma que a preservação ambiental começou a ser discutida em 1972, em Estocolmo. Em Cubatão, essa consciência foi despertada com mais força no início dos anos 80, após a atuação da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e da criação do plano ambiental. Os esforços das empresas e a rígida fiscalização da Cetesb resultaram no controle de quase todas as fontes primárias das indústrias. Mesmo assim, o muni-cípio é sempre diagnosticado e monitorado. "Muito já foi realizado, mas isso é um processo contínuo e ainda há o que fazer", conclui o presidente da Cetesb, Antônio Rubens Costa de Lara.
GM, 18-20/06/2004, Rede Gazeta do Brasil, p. B13
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