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Convencao tenta salvar planeta de catastrofe climatica

O Globo, O Mundo, p.21
06 de dez de 2004

Convenção tenta salvar planeta de catástrofe climática
Janaína Figueiredo e Eliane Oliveira
A partir de hoje, representantes de mais de 180 países participarão da décima Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, que será realizada na capital argentina. A agenda do encontro incluirá o debate sobre medidas estabelecidas no Protocolo de Kioto, assinado por 123 países e que começará a vigorar em 16 de fevereiro de 2005.
O objetivo do protocolo é reduzir as emissões de gases que provocam o aquecimento global. Estima-se que nos últimos 30 anos a temperatura da Terra aumentou 0,8 grau Celsius. Se o protocolo assinado em 1997 no Japão não for cumprido, neste século a temperatura do planeta poderá subir entre 1,4 e 5,8 graus.
Durante o encontro em Buenos Aires, será discutido o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), considerado a melhor opção para que países em desenvolvimento contribuam para a proteção climática. Sete cidades brasileiras (São Paulo, Betim, Goiânia, Porto Alegre, Palmas, Rio de Janeiro e Volta Redonda), que participam da campanha Cidades pela Proteção do Clima, apresentarão suas ações para redução de emissão de gases. No total, cerca de 550 municípios em todo o mundo estão envolvidos na campanha.
Brasil é o sexto maior emissor de gases poluentes
Segundo especialistas, o impacto provocado pelo aumento das emissões de gases é cada vez maior. Pequenas ilhas localizadas no Oceano Pacífico correm risco de desaparecer. Na próxima quarta-feira, o governo brasileiro apresentará, em Brasília, o inventário das emissões de poluentes do país, sexto maior emissor.
A delegação técnica brasileira na convenção será chefiada por Everton Vieira Vargas, diretor do Departamento do Meio Ambiente e Temas Especiais do Itamaraty. Segundo ele, os países ricos e da Europa Oriental têm obrigação de reduzir suas emissões de gases poluentes.
— Só que isto não aconteceu. Na verdade, nos anos 90, verificou-se um aumento das emissões de vários países industrializados. Os Estados Unidos e a Austrália, por exemplo, não ratificaram o Protocolo de Kioto — disse Vargas.
Segundo ele, os EUA são responsáveis por 36% das emissões de gases. Ao decidirem não ratificar o protocolo, obviamente a redução geral de 5,2% acabou ficando comprometida. No entanto, a despeito da decisão dos americanos, a Rússia optou por assinar o protocolo no mês passado.
— Houve todo um trabalho político com a Rússia. A ratificação pelos russos agora permite que o tratado entre em vigor — destacou.
Vargas explicou que o protocolo estabelece duas condições para entrar em vigor. A primeira é que pelo menos 55 países tenham ratificado. A segunda condição é que as nações que tenham aderido representem pelo menos 55% das emissões de gases de efeito estufa. Com a Rússia isso se concretizou.
— Tínhamos mais de 55 países, mas ele não entrava em vigor por causa dessa segunda condição — disse o diplomata.
Além de uma discussão mais apurada sobre a situação real, ou seja, a verdadeira possibilidade de cumprimento das metas de redução, a convenção de Buenos Aires também enfocará a adaptação dos países em desenvolvimento ao novo quadro. A idéia é buscar fontes de financiamento e transferência de tecnologia para melhorar o perfil industrial.

O Globo, 06/12/2004, p. 21

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