O Globo, Ciência, p. 26
11 de Mai de 2010
A conta da devastação ambiental
Destruição de florestas já custou até US$ 4,5 trilhões ao planeta
A ONU advertiu ontem que os prejuízos causados pela perda da biodiversidade poderão afetar severamente a economia mundial. O Programa de Meio Ambiente da ONU estima que o desmatamento e a degradação de florestas, por exemplo, já levaram a uma perda global de US$ 2 trilhões a US$ 4,5 trilhões. Para preservar as florestas em todo mundo seriam necessários US$ 45 bilhões.
O cálculo da devastação é um dos destaques do Panorama da Biodiversidade Global (GBO, na sigla em inglês), documento que, ontem, chegou à sua terceira edição sem boas notícias. Das 21 metas de preservação estabelecidas pela ONU em 2002, nenhuma está perto de ser atingida, ao menos em nível global. Entre as medidas negligenciadas estão o controle da expansão de espécies invasoras, o limite à degradação de habitats e a certificação de que o comércio internacional não levará qualquer espécie à extinção.
- Nossa análise mostra que os governos falharam em obedecer aos compromissos estabelecidos seis anos atrás: a biodiversidade está sendo perdida mais depressa do que nunca, e fizemos poucos progressos em reduzir a pressão sobre espécies, habitats e ecossistemas - lamenta Stuart Butchat, líder da equipe responsável pela nova edição do GBO - Infelizmente este ano não será, como esperávamos, aquele em que freamos as baixas na biodiversidade. Mas precisa ser o ano em que começamos a levar o assunto a sério. Temos de aumentar substancialmente os esforços para cuidar do que sobrou do planeta.
A relação entre perdas ambientais e prejuízos econômicos é clara. A ONU tenta quantificar o valor monetário de vários serviços fornecidos pela natureza - entre eles água pura, o ar, a proteção dada pelas encostas contra tempestades e a manutenção da vida selvagem para o ecoturismo. O raciocínio é que, quando essas benesses desaparecerem ou estiverem seriamente ameaçadas, elas terão de ser substituídas pela sociedade. Aí entra o prejuízo da comunidade global.
- Muitas economias continuam cegas ao grande valor da diversidade de animais, plantas e outras formas de vida e seu papel na saúde e funcionamento dos ecossistemas - alerta Achim Steiner, diretor-executivo do Programa de Meio Ambiente da ONU. - A Humanidade fabricou a ilusão de que, de alguma forma, podemos continuar sem a biodiversidade, que não passaria de algo periférico em nossas vidas. A verdade é que ela nunca foi tão importante em um planeta com 6 bilhões de habitantes, e que ainda receberá mais 3 bilhões até 2050. Os negócios, como são feitos hoje, não são uma opção se quisermos evitar um dano irreversível aos sistemas que mantêm o nosso planeta.
Destaques do estudo
Pontos críticos: O desmatamento da Amazônia, as intervenções humanas em lagos de água doce e a poluição e o aquecimento que atingem os recifes de corais estão entre os maiores problemas citados pelo relatório
Tragédia: Na África Subsaariana, o dano provocado por ervas invasoras a plantações de milho chega a US$ 7 bilhões anuais. Já a destruição de florestas causou, até hoje, prejuízo de até US$ 4,5 trilhões.
Economia: O plantio de 12 mil hectares de mangue no Vietnã custaria US$ 1 milhão. Isso evitaria gastos anuais de US$ 7 milhões com a manutenção de diques.
O Globo, 11/05/2010, Ciência, p. 26
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