O Globo, Ciência, p. 34
07 de Jun de 2012
Consumo global, extinção local
Comércio internacional responde por um terço das espécies ameaçadas
Cesar Baima
cesar.baima@oglobo.com.br
O comércio internacional é responsável por colocar em risco quase um terço das espécies ameaçadas de extinção no mundo, com o consumo dos países ricos alimentando crescentes agressões ao meio ambiente nas nações mais pobres, revela estudo publicado na edição desta semana da revista "Nature". Segundo os pesquisadores, para encher a xícara de café matinal de americanos, japoneses e europeus, agricultores mexicanos e de outros países da América Central estão invadindo e desmatando o habitat dos macacos-aranha (Ateles geoffroyi), também atingido pela produção de cacau para satisfazer o desejo por chocolate na sobremesa dessas mesmas populações ricas.
E o café e cacau são apenas duas das mais de 15 mil commodities cuja cadeias de suprimento - isto é, a rota que o produto faz desde sua origem até o consumidor final - os cientistas relacionaram com a lista de pelo menos 25 mil espécies ameaçadas compilada pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Ao todo, os pesquisadores analisaram mais de 5 bilhões de cadeias de suprimento em todo mundo, chegando à conclusão de que elas são o principal motivo de 7 mil espécies de animais estarem na lista da IUCN.
Outros exemplos destacados no artigo na "Nature" incluem a produção de soja e carne para exportação no Brasil, a exploração de madeira e da pesca em Papua Nova Guiné, as plantações de palmeiras na Indonésia e Malásia e até a captura de peixes ornamentais no Vietnã para povoar os aquários dos abastados consumidores do chamado Primeiro Mundo.
Em um método inédito que teve como base os dados da balança comercial de 187 países e o detalhamento da chamada Lista Vermelha da IUCN, que destaca quais são os fatores de pressão que estão levando os animais à extinção - como o avanço da agricultura sobre seus habitats ou sua poluição pelas fábricas -, os pesquisadores puderam calcular o impacto da atividade econômica na biodiversidade, chegando às nações que seriam as maiores exportadoras e importadoras líquidas de biodiversidade.
Quando mais de uma indústria podia ser relacionada como os fatores de pressão sobre as espécies ameaçadas, seu peso era distribuído segundo sua importância econômica para o país produtor e no fluxo comercial global, redistribuindo a responsabilidade entre os consumidores finais. Confira no quadro ao lado os principais países e commodities identificados pelos cientistas.
O Globo, 07/06/2012, Ciência, p. 34
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