OESP, Metrópole, p. C8
02 de Ago de 2008
Consumo de água em SP no mês de julho é o maior em 20 anos
Houve calor atípico e umidade baixa; período também foi o mais poluído desde 2006
Lais Cattassini
Com temperaturas e irradiação solar dignas de verão, o consumo de água na Região Metropolitana de São Paulo no mês de julho foi o mais alto dos últimos 20 anos. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), 67 mil litros de água por segundo, mais de 2 mil litros acima da média para a época, foram consumidos em julho deste ano.
No mesmo mês do ano passado, 65,67 mil litros por segundo foram produzidos diariamente. A média de temperatura máxima para o mês foi de 22,2oC, dois graus abaixo da média deste ano, de 24,3oC. "Por causa do calor, o consumo de água é maior. Como tivemos um julho atípico, o consumo aumentou", explicou o superintendente de produção de água da Sabesp, Hélio Luiz Castro.
O período de estiagem afeta também a distribuição de energia na cidade de São Paulo. Segundo o coordenador de Uso Final e Aplicação de Energia da AES Eletropaulo, Fernando Bacellar, a produção pode ser comprometida no período de seca. "A matriz energética brasileira depende fortemente das chuvas (para a geração de energia)", explica.
Os níveis dos reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste tiveram um decréscimo de 6,5%. A falta de chuvas em outros Estados, como Minas Gerais e Piauí, agravam a situação das principais bacias geradoras das duas regiões.
As represas que distribuem água para a Região Metropolitana de São Paulo não estão em níveis críticos. O período de chuvas do início do ano garantiu o abastecimento durante a estiagem, mas a Sabesp alerta para a importância da economia.
BAIXA UMIDADE
Sob influência de uma massa de ar seco, São Paulo tem enfrentado altas temperaturas e baixa umidade. A chuva forte deverá vir na próxima semana. Segundo Marcelo Schneider, meteorologista do Inmet, uma frente fria chega à São Paulo hoje, provocando queda de temperaturas e chuvas fracas. Na terça-feira a massa ganha força, provocando pancadas de chuva mais intensas.
Em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, a umidade relativa do ar em torno dos 9% fez com que funcionários públicos encerrassem o expediente mais cedo. Também para garantir a saúde de alunos, as aulas de educação física em escolas serão mais leves e realizadas em ambientes cobertos.
POLUIÇÃO
Julho deste ano foi o mais seco de todos os tempos e o mais poluído desde 2006, segundo a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb). Culpa também da falta de chuvas, que deixa o ar seco. A Organização Mundial ad Saúde (OMS), considera aceitável níveis de umidade de 30%, depois disso, a situação passa a ser crítica. E alguns cuidados devem ser tomados para evitar doenças e desconfortos.
Em julho, as 23 estações da Cetesb na região metropolitana registraram a ocorrência de qualidade inadequada do ar em sete ocasiões em quatro dias. De todas as medições, 0,9% delas registrou qualidade inadequada; 49,7% estavam em estado regular e 49,8%, boa.
A poluição e tempo seco afetam mais duas partes do corpo: os olhos e o aparelho respiratório. A garganta, a traquéia e os brônquios ficam irritados. Os olhos ardem, a formação de lágrimas fica prejudicada e, com isso, facilita o contágio de doenças, como a conjuntivite.
A dica dos especialistas é manter uma boa hidratação, bebendo pequenas doses de água ao longo do dia. Os banhos devem ser curtos e a temperatura da água, morna. Ou corre-se o risco de ter a pele ressecada.
Colocar uma bacia de água perto da cama na hora de dormir e evitar a prática de exercícios físicos no período das 10 às 16 horas são outras dicas para manter o bem-estar.
Para quem é hipertenso ou diabético: mais um alerta: o tempo seco prejudica o sistema circulatório e aumenta o risco dessas doenças.
OESP, 02/08/2008, Metrópole, p. C8
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