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Cônsul espanhol na Argentina ataca os índios

El País-Buenos Aires-ARG
Autor: Francesc Relea
15 de Out de 2004

Diplomata diz que europeus fizeram bem ao exterminar os nativos

Pablo Sánchez Terán, 58 anos, cônsul da Espanha na cidade argentina
de Córdoba desde agosto passado, desencadeou uma polêmica com as
declarações que fez em um ato sobre o 12 de outubro [descoberta da
América] nas quais reivindicou a conquista do continente, cujos
povos, afirmou, "estariam hoje muito pior sob o predomínio das
civilizações indígenas".

O diplomata espanhol salientou que "muito pior estariam, ou
estaríamos, sob as civilizações incas, astecas, sioux, apaches ou
mapuches, quando é bem conhecida sua divisão em castas e seu caráter
imperialista e sanguinário".

Sánchez Terán ratificou essas declarações com o seguinte matiz: "Não
me referia só à colonização espanhola, mas também à portuguesa,
inglesa e francesa na América, Ásia e África". Segundo o cônsul,
essas gestões foram "uma contribuição positiva européia em termos de
cultura e por parte da religião cristã".

No ato realizado em Córdoba pelo 512o aniversário da chegada de
Cristóvão Colombo à América, Sánchez Terán afirmou que a contribuição
de uma língua européia e da religião cristã, ou seja, católica, "é
melhor do que se tivéssemos monarquias ou repúblicas indígenas". E
acrescentou: "O real e positivo é que Espanha e Portugal criaram uma
nova raça, a latino-americana, com um só idioma e um único credo".

As palavras do diplomata tiveram grande repercussão em diversos
programas de rádio argentinos, em que debatedores e historiadores se
dirigiram em busca de um confronto verbal. O historiador Felipe Pigna
recomendou através do rádio ao cônsul em Córdoba que lesse mais e se
informasse melhor sobre a história da América Latina.

O iniciador da polêmica preferiu não entrar na discussão, limitando- se a repetir que seu intuito foi apenas enaltecer a contribuição
européia, e não desprestigiar as civilizações exterminadas. Embora
tenha dado sua visão pessoal dos fatos, ao indicar: "Mais que em
genocídio, eu falaria em uma grande catástrofe biológica causada
pelas doenças européias. Me atreveria a dizer que a causa biológica
foi muito mais importante" no desaparecimento dos povos originais do
subcontinente americano.

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