Valor Econômico, Empresas, p. B2
19 de Mar de 2015
Consórcio tira Impsa da usina de Belo Monte
Rodrigo Polito
O consórcio Norte Energia, responsável pela implantação e operação da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), rescindiu contrato da ordem de R$ 820 milhões com a argentina Impsa, que está em situação financeira delicada e que forneceria quatro das 18 turbinas da casa de força principal da usina. O grupo já está em negociações com outros fabricantes para substituir o contrato. Principal obra de geração de energia em andamento do país, Belo Monte terá 11.233 megawatts (MW) de capacidade instalada e tem investimentos previsto previstos de R$ 30 bilhões.
"Em dezembro de 2014, em razão do não cumprimento de cláusulas e marcos contratuais por parte do consórcio Impsa Belo Monte, que impactariam na conclusão do fornecimento de equipamentos e comprometeriam o empreendimento, o contrato foi rescindido unilateralmente pela Norte Energia", informou o consórcio, em relatório da administração referente a 2014.
Devido ao rompimento do contrato, o Norte Energia provisionou o valor de R$ 251,8 milhões no resultado de 2014, referente aos pagamentos que já haviam sido realizados. A expectativa do consórcio é reverter essa provisão, na medida em que os novos fornecedores concluírem a fabricação dos equipamentos.
O Norte Energia também provisionou R$ 4 milhões relativos a um contrato de equipamentos hidromecânicos com a Iesa Projetos, Montagens e Equipamentos, que está em recuperação judicial, por não cumprimento de cláusulas e marcos contratuais. As provisões foram os principais motivos para o aumento do prejuízo do consórcio, de R$ 41,7 milhões, em 2013, para R$ 219,4 milhões, no ano passado. Ainda segundo o relatório, já foram desembolsados R$ 21,5 bilhões na construção da hidrelétrica.
O valor do contrato com a Impsa era da ordem de R$ 817 milhões. As outras 14 unidades geradoras da casa de força principal serão fornecidas pelo consórcio ELM, formado por Alstom, Voith e Andritz, pelo montante total de R$ 3,5 bilhões.
Questionado pelo Valor, o consórcio não havia informado, até o fechamento desta edição, se o rompimento do contrato com a Impsa e a negociação com outros fornecedores poderá afetar o cronograma da hidrelétrica.
De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o empreendimento já está com o cronograma atrasado. A primeira máquina da casa de força complementar do empreendimento, o sítio Pimental, de 233 MW, deveria iniciar a operação em fevereiro deste ano.
Segundo o consórcio, a casa de força complementar deve iniciar o funcionamento em novembro. Já a primeira turbina da casa de força principal, de 11 mil MW, está prevista para entrar em operação em março de 2016. O Norte Energia alega que os atrasos na obra ocorreram por motivos de força maior.
No relatório de administração de 2014, o consórcio informa que a data de enchimento do reservatório da usina "está prevista para 2015". No documento referente a 2013, o Norte Energia relatava que o enchimento do reservatório estava previsto para "15 de dezembro de 2014".
O Norte Energia é formado pelas estatais Eletronorte (19,98%), Eletrobras (15%) e Chesf (15%); os fundos de previdência Petros (10%) e Funcef (10%); a Neoenergia (10%); a SPE Amazônia, que pertence a Cemig e Light (9,77%); as autoprodutoras Aliança Norte Energia (9%) e Sinobras (1%); e a J. Malucelli Energia (0,25%).
Procurada, a Impsa não se manifestou sobre o assunto.
Valor Econômico, 19/03/2015, Empresas, p. B2
http://www.valor.com.br/empresas/3963376/consorcio-tira-impsa-da-usina-…
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