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Conselho cobra presidente por não receber indígenas

OESP, Política, p. A4
05 de Jun de 2013

Conselho cobra presidente por não receber indígenas
Cimi divulga nota um dia após pedido de audiência com Dilma e reclama que ruralistas têm mais acesso ao Planalto

Roldão Arruda - O Estado de S.Paulo

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) voltou a atacar ontem o governo federal, afirmando que trata de maneira desigual as partes envolvidas nos conflitos pela demarcação de terras indígenas no País. Em nota oficial, a instituição lembrou que, desde sua posse, em janeiro de 2011, a presidente Dilma Rousseff nunca recebeu uma delegação indígena para tratar de demarcações ou de outros assuntos do seu interesse. Por outro lado, segundo o Cimi, ela franqueia o seu gabinete a líderes ruralistas, que se defrontam com os índios no debate sobre a posse das terras.
"Somente no mês de maio, a presidenta reservou tempo em sua agenda para ao menos cinco encontros com representantes dos ruralistas, inimigos históricos dos povos indígenas", diz a nota. O texto ainda lembra que a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), esteve com Dilma duas vezes no período em que as tensões aumentavam na zona rural de Mato Grosso do Sul e também no canteiro de obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no sul do Pará.
O distanciamento da presidente, segundo o Cimi, seria uma demonstração de que o governo federal "não entende e não está disposto a entender os povos indígenas brasileiros".
A nota foi emitida um dia após a ministra Gleisi Hoffmann ter se reunido com o bispo Leonardo Ulrich Steiner, secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), instituição à qual o Cimi está subordinado. Indiretamente, o texto reforça um dos três pedidos que o representante do episcopado brasileiro havia feito à ministra no encontro do dia anterior.
Impressões. Em primeiro lugar, d. Leonardo pediu que o governo não interrompa as demarcações. A paralisação de processos no Paraná e no Rio Grande do Sul, apoiada pela própria Gleisi, seria equivocada, segundo a CNBB. Em segundo lugar, o bispo pediu que a presidente receba uma delegação indígena. E, por fim, enfatizou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) tem de ser fortalecida, e não ter seu papel reduzido.
O pedido da audiência foi claro e enfático. Em nenhum momento, porém, a ministra deu a entender que apoia a ideia. A impressão que Gleisi deixou na CNBB, segundo assessores da organização, é que sua ida até lá foi apenas uma tentativa de conter a onda de críticas do Cimi e de outras ONGs ao governo. Não foi uma boa impressão, segundo essas fontes.
O secretário-geral da CNBB já atuou na Prelazia de São Félix do Araguaia, Mato Grosso, é bastante sensível ao tema e acha que o melhor caminho é o diálogo. Daí sua insistência para que a presidente receba os índios e ouça deles diretamente o que têm a dizer.

FHC e Lula receberam grupos e ouviram queixas

Rose Saconi, Carlos Eduardo Entini - O Estado de S.Paulo

Com apenas nove dias na Presidência da República, Lula já fazia seu primeiro encontro com índios. Em 9 de janeiro de 2003, representantes de sete etnias estiveram no Palácio do Planalto para pleitear que a vaga de presidente da Funai fosse ocupada por um índio. O grupo foi surpreendido quando o próprio presidente apareceu. Já o primeiro encontro de Fernando Henrique Cardoso com índios foi em março de 1997, na Rio+5. Na ocasião, o cacique xavante Aniceto Tsudzaware entregou uma carta a FHC em que reclamava da reestruturação da Funai e de decreto que possibilitava a contestação de reservas já demarcadas.

OESP, 05/06/2013, Política, p. A4

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