VOLTAR

Conheça Bera, cantor da Geórgia que doou R$ 4,5 mi para a Amazônia

Em Tempo - https://d.emtempo.com.br/cultura
Autor: Bera Ivanishvili
29 de Out de 2019

Conheça Bera, cantor da Geórgia que doou R$ 4,5 mi para a Amazônia
Cantor e compositor irá desembarcar no Brasil como embaixador de campanha em prol dos povos indígenas e comunidades tradicionais da floresta
LUCAS VASCONCELOS
29 de outubro de 2019 - 09:57

Manaus - Bera Ivanishvili, de 24 anos, mais conhecido com o nome artístico "Bera", é um artista pop, empresário e multi-instrumentista nascido na França e criado na Geórgia (leste europeu). O interesse pela preservação deste patrimônio mundial o levou a doar R$ 4,5 milhões (1,1 milhão de dólares) para a floresta e se tornar o embaixador do #PovosDaFloresta, lançada este ano pela ONG Instituto Socioambiental (ISA).
Bera desembarca no Brasil pela primeira vez no mês de novembro, quando irá conhecer a Amazônia. A causa ambiental é uma das bandeiras de sua família, uma das mais tradicionais do país europeu. A campanha apoia os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e extrativistas na defesa de seus territórios contra a destruição promovida por garimpeiros, madeireiros, grileiros e demais invasores.
"Antes eu não pensava tanto neste tema do meio ambiente, mas eu abri os olhos assim que eu soube que ia ser pai. Não quero que o meu filho cresça num mundo doente porque não o protegemos agora. O planeta Terra é nosso, esse não é um problema apenas meu ou seu. Ter meu primeiro filho a caminho mudou a minha mentalidade", explica o artista, que acredita no poder de união das nações para proteger este ecossistema.
Em entrevista exclusiva para o Portal EM TEMPO, Bera contou sobre a carreira, processo de composição solidariedade com a Amazônia e da possibilidade visitar a capital amazonense.

EM TEMPO - Como a música surgiu na sua vida?
BERA - Então, basicamente eu não tenho lembranças da minha vida separada da música. Eu diria que nasci para ela porque eu sempre estava atrás de instrumentos diferentes, ouvindo coisas no rádio e tentando imitar antes mesmo de conseguir falar e andar. A música sempre fez parte da minha vida. E sabe, minha avó era professora de piano clássico, então tinha sempre boa música tocando na casa. Minha mãe também era apaixonada por música. Basicamente eu nasci para a música.
EM TEMPO - Como é o processo de composição?
BERA - Basicamente, para mim é bem simples. Eu gosto de compor a maior parte no teclado. Em geral eu começo brincando com uns acordes, e então encaixo as letras. Para mim o lado lírico das coisas é muito importante na música, eu me apaixonei por ela através da composição, da combinação entre letra e melodia. Então, eu sempre presto atenção em como combinar a letra com a melodia. Na maior parte do tempo eu componho no teclado e aí trabalho junto com alguém para ajudar na parte técnica como mixagem e masterização. Eu tenho um engenheiro de som com o qual eu trabalho há muitos anos. Mas a ideia e a estrutura de cada canção é sempre crua, sempre começa só comigo no teclado.
EM TEMPO - Como ficou sabendo do que ocorreu na região amazônica?
BERA - Então, eu acho que não foi diferente de todo mundo nesse caso. Todos souberam o que estava acontecendo na Amazônia e descobri pelas redes sociais. Estava em todos os canais de TV do meu país e era um problema global, por isso não foi difícil ficar sabendo. Minha história nesse aspecto não é original, eu soube da mesma forma que todo mundo.

EM TEMPO - O albinismo é constatado em uma de cada 17 mil pessoas no mundo. Atualmente, o que você pode dizer sobre a realidade social dos albinos?
BERA - Infelizmente eu acho que está bem precária atualmente, especialmente em alguns países na África onde crianças albinas são mortas porque acredita-se que suas partes do corpo são sagradas e podem ser vendidas no mercado negro por grandes quantias. Eu sempre me manifestei sobre essas questões, e no futuro eu tenho planos de fazer mais shows para espalhar conscientização sobre elas. Inclusive, no meu próximo single, The Lonelies, uma das minhas inspirações foi a história de uma garotinha albina na África, que foi morta por esses motivos que falei.
Então acredito que é uma situação bem ruim, até mesmo em países que seriam mais desenvolvidos não está como deveria estar. Eu tenho algumas memórias bem traumáticas da escola na França onde cresci, e acho que deveria ser uma situação muito melhor. E não é só por conta do albinismo, só por pessoas serem diferentes de qualquer forma. Eu digo muito que a maioria das pessoas tenta se destacar e se diferenciar, mas quando veem alguém diferente agem com preconceito.
É irônica essa nossa realidade em que todo mundo está tentando se destacar e ser diferente, mas se alguém é naturalmente diferente todos procuram motivos pra odiar essa pessoa. Essa é a triste realidade. Na minha música e na minha carreira, uma das maiores mensagens e propósitos do que eu estou fazendo é usar a sua diferença como sua força. Considerar a sua diferença uma bênção, é como eu fui criado pela minha família e é no que eu sempre acreditei. Eu sempre acreditei em mim e nunca questionei minhas capacidades para ser bem sucedido como sou.

EM TEMPO - Você afirmou que virá para o Brasil em novembro. Que cidades você irá visitar? Manaus está na agenda?
BERA - Não posso afirmar a data exata pois ainda estou resolvendo isso com a minha produção. Mas sim, pretendo visitar algumas cidades brasileiras e Manaus está incluída.
EM TEMPO - Por último, que mensagem de conscientização você poderia deixar para todos sobre os últimos acontecimentos na região amazônica e no Brasil?
BERA - A última pergunta, a mensagem que eu posso deixar. Então, esse planeta é o nosso lar e cada um de nós é responsável pelo seu bem estar. Nós temos que agir e garantir um futuro seguro para os nossos filhos, para que eles possam aproveitar as cores da natureza e a beleza desse mundo da mesma forma que podemos fazer hoje. Então, a mensagem é temos que dar valor a essas coisas incríveis. O maior propósito dessa campanha é envolver mais pessoas, criar esse movimento. Não só pela Amazônia, mas por todas essas questões globais como um todo. Não ficar mais de longe, e sim encarar os fatos e a difícil realidade das coisas. Eu acho que essa é a mensagem principal.
Eu quero que essa ação de caridade seja bem transparente. Como eu falei antes: caridade não é uma obrigação, é algo que tem que vir da alma. É por isso que eu tenho conversado com os fãs e conversado com as pessoas no Brasil sobre como os valores devem ser gastos por lá. Eu tenho sido bem transparente e bem aberto porque o ISA é uma das pouquíssimas organizações que aceitaram ser transparentes e discutir conosco como o dinheiro seria gasto. É por isso que tenho trabalhado de mãos dadas com o ISA.

https://d.emtempo.com.br/cultura/176911/conheca-bera-cantor-da-georgia-…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.