Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: LUIZ VALÉRIO
24 de Mai de 2004
A polêmica em torno da forma como será homologada a reserva indígena Raposa/Serra do Sol (RSS) fez parte das discussões do 3o Congresso Estadual da CUT, realizado no final de semana na Casa Paulo VI. Com discursos inflamados, os congressistas divergiram quanto aos benefícios e vantagens que uma homologação contínua traria para os povos indígenas que vivem na área pretendida. A maioria, no entanto, defendeu uma posição da CUT (Central Única dos Trabalhadores) em pela área contínua.
Entre os participantes das discussões estava o indígena Osélio Isidoro, representante local do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf). Com vivência dentro da Raposa/Serra do Sol, ele defendeu perante os participantes a manutenção do município de Uiramutã, das vilas, estradas e áreas produtivas. Disse que se fala em âmbito nacional em homologação da reserva em terras contínuas, mas que o governo não tem política nem proposta para as comunidades indígenas.
"Eu estou na área (a Raposa/Serra do Sol) no dia-a-dia. Tenho muito medo da (homologação) em área contínua. Defendo a manutenção das estradas e do município de Uiramutã", afirmou Osélio Isidoro perante dos congressistas da CUT. Ele alertou que a homologação em área contínua pode favorecer o tráfico de animais e a biopirataria, uma vez que o governo brasileiro já demonstrou que não tem domínio sobre a presença de aeronaves nas áreas indígenas.
No entanto, a maioria dos discursos dos congressistas da CUT em defesa da homologação da demarcação da Raposa/Serra do Sol em área contínua foi inflamada. "É preciso defender a homologação da reserva em área única. Temos que apoiar e defender os direitos dos povos indígenas e lutar contra o latifúndio", disse a diretora da CUT, Elvira Fonseca.
Por sua vez, Fábio Almeida (PC do B) afirmou que "não se pode cair no discurso das elites do Estado, que colocam na cabeça da população que a homologação em área única impede o desenvolvimento". Segundo ele, muitas pessoas que se colocam contra a homologação em área única pertencem a "famílias da elite de Roraima que escravizavam índios no passado".
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