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Conflitos de terra ameaça seringueiros em Tarauacá

A Gazeta de Rio Branco-Rio Branco-AC
07 de fev de 2001

Despejadas da área indígena Carapanã, por determinação do governo federal que demarcou a reserva em dezembro do ano passado, 60 famílias de seringueiros e pequenos agricultores estão prestes a alimentar o "bolsão de miséria" da periferia de Tarauacá. O alerta foi dado ontem pelo vereador Chagas Batista (PC do B).

Os seringueiros notificados para abandonarem a reserva ocupam, hoje, barcos ancorados no município de Tarauacá e esperam medida dos governos federal, estadual, Incra e prefeitura para serem assentados. O governo indenizou os produtores rurais que possuíam casa de madeira, pasto e pequenas plantações. A maioria dos seringueiros ficaram excluídos da indenização. Sem casa de madeira e sobrevivendo da produção do látex e com agricultura de subsistência, eles não tinham indenização para receber.

O vereador Chagas Batista explicou que o prazo dado pelo governo para que a área fosse desocupada já expirou e os seringueiros começaram a deixar a região sem ter local certo para serem assentados.

"A demarcação da reserva indígena foi uma luta nossa. O Incra esteve na região acompanhado do procurador da República, Marcus Vinicius, para a realização de uma audiência pública. Incra, governo e prefeitura ficaram responsáveis pela providência de um novo local de assentamento dessas famílias, mas até agora nada foi encaminhado", explicou o vereador.

Chagas Batista disse que a preocupação maior está na ameaça dos seringueiros de invadirem fazendas localizadas ao longo da BR-364. Segundo ele, os proprietários já teriam manifestado resistência a qualquer movimento de invasão e um conflito poderá estourar na região.

"Não podemos aceitar que estas famílias sejam jogadas inapelavelmente na miséria. Tarauacá não tem estrutura para recebê-las e o município vive hoje uma crise de violência", alertou o vereador.

Nas três celas existentes na Delegacia de Polícia de Tarauacá estão presos cerca de 40 homens envolvidos em assassinato e tráfico de droga. O município é também o recordista em analfabetismo no Acre

AC Naua Parque Nacional Serra do Divisor

Nauas passarão por nova perícia antropológica - 7-fevereiro-2001
Local: Rio Branco
Fonte: A Gazeta

ÉRIKA LOPES

Depois de aproximadamente um ano da descoberta do povo Naua e da elaboração de uma perícia antropológica que comprovou realmente suas origens, estes fatos estão sendo colocados novamente em dúvida. Ainda no primeiro semestre deste mês os índios que se intitulam nauas receberão a visita de mais um antropólogo que averiguará suas verdadeiras origens.

Em agosto do ano passado, o órgão indigenista oficial declarou à opinião pública o reconhecimento oficial do povo Naua, habitante do Parque Nacional da Serra do Divisor. A partir desse reconhecimento o próximo passo seria a demarcação do território indígena.
Quando se tocou nesse assunto -demarcação de terras- diversos órgãos colocaram em dúvida a veracidade das informações e até do laudo antropológico realizado pelo antropólogo e coordenador da Funai no Acre, Antônio Pereira Neto. Entre estes órgãos estavam SOS Amazônia, Ibama e a partir daí, Ministério Público Federal.

O coordenador da SOS Amazônia, Miguel Scarcelo acusou o CIMI e a Funai de criar índios e ainda afirmou que o reconhecimento possível dos nauas no Novo Recreio dependeria dos resultados da perícia e que até então o administrador da Funai não havia enviado resultados para a SOS Amazônia e Ibama.

Neste último final de semana o administrador geral da Funai esteve na Serra do Divisor com representantes do CIMI e UNI para manter contato com este povo e prepará-los para receber a visita da antropóloga de Porto Alegre, Delvair Montagne, que vai realizar uma nova perícia a pedido do Ministério Público Federal.

De acordo com o administrador regional da Funai, Sebastião Manchineri, os trabalhos deverão ser realizados em 90 dias e a expectativa é de que a perícia seja confirmada. "Não acredito que haverão fraudes, apesar de existir grandes interesse em jogo naquela região. Acho que o trabalho será positivo e confirmará o que Antônio Manchineri já tinha comprovado".

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