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Conflito étnico pode explodir em Roraima

CB, Brasil, p.16
17 de Jan de 2004

Conflito étnico pode explodir em Roraima
Disputa entre índios e fazendeiros preocupa imprensa européia. Governo federal tenta minimizar extensão do confronto

DA REDAÇÃO

O conflito causado pela demarcação da reserva Raposa Serra do Sol transformou Roraima na ex-Iugoslávia. É o que garante a revista britânica The Economist desta semana. "Boa Vista tem um clima etnicamente carregado, mais característico dos Balcãs do que do Brasil", afirma a publicação. A ex-república da Iugoslávia desintegrou-se no início da década de 90 por uma guerra civil que envolveu várias etnias, entre elas, sérvios e croatas.
A despeito do tom alarmista da reportagem, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse que não se deve "dar a dimensão que está sendo dada" à divisão entre índios e fazendeiros em Roraima.
"São sete proprietários de arroz. Temos legislação que permite indenização dessas propriedades e há condições de transferi-los para outras regiões", afirmou.
Ele destacou que já foram desbloqueadas as estradas que dão acesso à capital Boa Vista, assim como foram desocupadas as agências federais invadidas e liberados os reféns feitos pelos índios. Dirceu disse que qualquer decisão sobre o conflito em Roraima será precedida de um acordo político. Segundo ele, a determinação é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "0 que devemos evitar é a violência, porque há Justiça no país."
Sobre o conflito de Roraima, Dirceu disse que há questões a serem resolvidas: a demarcação do território indígena e a questão fundiária."O Brasil já demarcou muita terra indígena, já transferiu população, já indenizou". Ele citou um caso no Maranhão, em que 6 mil habitantes do estado foram transferidos para uma cidade construída em área não ocupada pelos indígenas.
Estrangeiros
Os procuradores da República em Roraima, Darlan Dias e Carlos Mazzuco, irão solicitar a ajuda da Polícia Federal para investigar denúncias sobre a presença de estrangeiros na reserva Raposa Serra do Sol. Segundo os procuradores, a Fundação Nacional do índio (Funai) em Boa Vista deve ser notificada para entregar ao Ministério Público Federal os nomes dos missionários que vivem nas reservas do estado. "Depois desta etapa, teremos como investigar detalhadamente", disse Mazzuco.
Dias afirmou ainda que um plebiscito sobre a demarcação da reserva - proposta de índios contrários à homologação - seria ilegal. "Mesmo que todos os índios do estado sejam contra a demarcação em terra contínua, se o presidente assinar, ninguém pode fazer nada."
Enquanto isso, continua a guerra política entre índios favoráveis à demarcação e os que estão do lado dos fazendeiros. Jaci Cruz, presidente do Conselho Indigenista de Roraima, disse que iniciará campanha em favor da assinatura da demarcação em área contínua. Para ele, todo branco deveria sair da região. Essa opinião não é compartilhada pelo chefe da aldeia do Flexal, Abel Barbosa. Segundo ele, sua comunidade deseja o entendimento e a permanência do estado e do município na região. "Sempre tivemos ajuda do governo e da prefeitura para trabalhar. Tanto que hoje somos os maiores produtores de feijão do estado."

CB, 17/01/2004, Brasil, p. 16

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