Diário da Amazônia-Manaus-AM
22 de Nov de 2005
Representantes vos discutem questões como a tutela do índio
Foi aberta ontem em Porto Velho a Conferência Regional dos Povos Indígenas de Rondônia, Acre e sul do Amazonas, promovida pela Funai e organizada por representantes dos povos indígenas. Durante esta semana, índios de 50 etnias dessas regiões vão poder se expressar sobre a atual política indigenista e a que eles desejam. O ponto de maior polêmica e que deve suscitar grandes debates entre os índios e Funai é a tutela do Estado sobre esse povo.
Para o coordenador geral da Associação do Povo Indígena Tenharim Morogita, Zelito Tenharim, a tutela é necessária "mas é também é preciso dar autonomia ao índio". O vice-presidente da Funai, Roberto Aurélio Lustosa Costa, diz que ainda não há condições de os índios ficarem sem tutela. "Se há povos já integrados na sociedade, com seus índios trabalhando e adotando os costumes do branco, há também aqueles que ainda não tiveram contato com a nossa cultura e precisa ser protegido", afirma.
Questionado sobre a regulamentação da lavra mineral em terra indígena, Roberto Aurélio disse que a Funai é a favor, mas que é um "processo complexo que envolve diversos órgãos de controle, como o Ibama e o Ministério de Minas e Energia. O que também será discutido durante a Conferência é a saúde e educação indígena, o novo Estatuto do Índio, questão fundiária, entre outros temas. "É preciso discutir sobre o atraso do desenvolvimento na agricultura e pecuária. Dizem que índio é preguiçoso, mas a verdade é que não temos condições. O machado não compete com a tecnologia. Sem a implementação agrícola vamos continuar no século passado", avalia Jurandi Tenharim, técnico agrícola da ONG Uirapuru. A Conferência será encerrada no final de semana.
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