Jornal O Documento
18 de Nov de 2007
Comunidades Quilombolas investem no turismo rural
Várzea Grande, 18/11/2007 - 14:47.
Da Redação
O turismo rural é um dos segmentos que mais cresce em Mato Grosso. O Estado tem atualmente 57 comunidades negras rurais (quilombolas) que investem neste segmento. Somente em Poconé, município a pouco mais de 100 quilômetros de Cuiabá, há quatro delas e todas estão trabalhando na estruturação para desenvolver o turismo rural.
Destas 57 comunidades, pelo menos 19 foram reconhecidas pela Fundação Cultura Palmares. "Este já é um passo a mais e muito importante para a divulgação destes novos atrativos", explica o coordenador de turismo rural, da secretaria de Desenvolvimento do Turismo de Mato Grosso (Sedtur), Geraldo Donizeti Lúcio.
As comunidades quilombolas da região de Poconé existem há mais de 100 anos, e vivem da agricultura e da fabricação de produtos alimentícios, conservando características tradicionais dos antigos escravos. Apesar do Estado ter 57 comunidades quilombolas, apenas Mata-Cavalo e Vila Bela são famosas, as outras não são nem muito conhecidas. No entanto, todas possuem atrativos diferenciados que encantam os visitantes. A oportunidade de ver o processo de produção de doces e conviver com a simplicidade e hospitalidade oferecida por este povo é uma experiência única.
A idéia de desenvolver o turismo é uma forma das comunidades recuperarem a identidade de quilombolas, o que significa tomar consciência das leis de proteção, que gera direitos para os remanescentes de escravos. Lúcio destaca que é preciso divulgar o trabalho das comunidades para atrair visitantes. "Há diversas formas de fazer isso. Cada uma destas comunidades tem um diferencial que normalmente atrai e encanta um público específico", explica. Em Poconé (104 quilômetros de Cuiabá), as comunidades que já estão preparadas para receber o turista são Capão Verde, Mutuca, Campina de Pedra e Jejum.
CAPÃO VERDE - Localizada no município de Poconé, a comunidade Capão Verde é formada por aproximadamente 14 famílias, ou seja, um grupo de 60 pessoas instaladas em uma área de 200 hectares. Eles vivem do cultivo da banana, voltada para a produção da farinha de banana, um complemento alimentar rico em cálcio, ferro e fosfato.
MUTUCA - ¬ é uma comunidade de 36 famílias que produzem farinha de banana há mais de 30 anos. Josemar Ferreira da Silva, de 24 anos, morador de Mutuca, conta que desde crianças ele aprendeu a fazer a farinha. "Produzimos vários outros produtos que tem a banana como matéria prima, como por exemplo, doce embalado na própria palha da fruta, rapadura e doce de caju", conta.
CAMPINA DE PEDRA Já esta é uma comunidade com 125 hectares, onde vivem outras 30 famílias que formam um grupo com 136 pessoas. A principal atividade econômica é o cultivo de cana-de-açúcar para a produção de rapadura, melaço e açúcar mascavo.
A comunidade produz cerca de mil quilos de rapadura por semana, com peso médio de ½ kg cada uma. A comercialização é feita basicamente em Poconé. Além das delícias da cana-de-açúcar, a comunidade também tem grupos folclóricos que apresentam o cururu, uma dança tradicional da Baixada Cuiabana.
Jejum- esta comunidade, além de oferecer os produtos da banana e da cana-de-açúcar, tem ainda como atração para os visitantes os remédios naturais feitos pela dona Olga Souza. Há garrafadas e sabonetes para curar diversos tipos de doenças. O turista terá a oportunidade de conhecer um pouco da medicina natural, fato que contribuirá para mudança de educação e melhoria de saúde.
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