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Comunidade quilombola celebra 13 de maio com 'Raiar da Liberdade'

Século diário https://seculodiario.com.br/
10 de mai de 2019

A comunidade quilombola de Monte Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), estará em festa na próxima segunda-feira, dia 13 de maio. Será realizada, a partir das 18 horas, a tradicional festa "Raiar da Liberdade", que este ano tem como temática "O Canto da Liberdade".

Com a presença confirmada de diversos grupos folclóricos dos municípios da região sul capixaba, o evento cultural relembra o fim da escravidão no País e oferece, como principal atrativo, apresentações de caxambus, jongos, folias de reis, boi pintadinho, charola e bate-flechas de São Sebastião.

Neuza Gomes Ventura, uma das mestras do Caxambu Santa Cruz, da própria comunidade de Monte Alegre, afirma que "é preciso sempre comemorar o 13 de Maio, porque é a data mais importante para o povo negro, é o dia em que nós fomos reconhecidos como trabalhadores livres pelo governo brasileiro. Esse também é o dia em que nosso Caxambu foi criado". A mestra também lembra que essa "libertação" só aconteceu por causa de muita luta dos negros escravizados.

"Não podemos deixar que nossa sociedade e nossos governos se esqueçam dessa que foi a maior vergonha de nossa história: a escravidão do povo negro em nosso país. Precisamos mostrar todo o valor que nossa gente tem, e essa festa é muito propícia para isso. Festejamos, na verdade, a resistência do nosso povo", afirma Fátima Buzatto, uma das organizadoras da festa.

Conforme prega a tradição oral, os festejos acontecem sempre na data de 13 de maio, desde a sanção da Lei Áurea, em 1888. Há mais de cinco décadas, a festa é conduzida pela mestra de caxambu Maria Laurinda Adão.

O arquiteto e gestor cultural Genildo Coelho Hautequestt Filho, pesquisador da cultura popular do Espírito Santo há mais de vinte anos, diz que o treze de maio é uma data que "não deve ser comemorada, mas, sim, relembrada como uma das datas símbolo da resistência do povo negro".

Longe de ser um ato de bondade da Princesa Isabel, a abolição da escravatura "foi uma grande conquista do povo negro, e só foi possível com muita luta dos negros escravizados", enfatiza o pesquisador. "Eles fugiam, fundavam quilombos, atacavam fazendas e até vilas, disseminando o medo entre os senhores e suas famílias, ou mesmo em cidades inteiras", conta.

O século XIX foi rico desses processos de resistência, diz Genildo. "E são essas resistências que obrigaram o governo imperial a abolir a escravidão - mais por medo do que por justiça social", acentua.

"A sociedade brasileira tem uma dívida com o povo negro que é impagável, e, por isso, precisamos de políticas públicas de inclusão dessa população, que sempre esteve alijada dos processos de desenvolvimento econômico de nossa cidade e também de nosso país. Por isso, devemos, neste dia 13 de maio, refletir sobre o que estamos fazendo como cidadãos para mudar esse quadro tão perverso", pondera o pesquisador.

Como chegar

Seguir pela BR-482 (sentido Cachoeiro x Alegre) e virar à direita no trevo de Burarama. Após a sede do Incaper, virar à direita e seguir por mais 8 km de estrada não pavimentada (que passa por dentro da Floresta Nacional de Pacotuba) até a comunidade de Monte Alegre.

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