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Comunidade indígena mostra as parcerias que deram certo

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
19 de ago de 2003

As 19 famílias da etnia Macuxi da comunidade do Truaru, na região do Taiano, em Alto Alegre, estão começando a colher os primeiros resultados positivos de uma parceria entre governo, entidades e comunidade indígena.

Hoje os índios já contam com oito hectares de milho, quatro hectares de feijão e mandioca, além dois açudes com mais de 2 mil alevinos de tambaqui. A região foi visitada pelo secretário do Índio, Orlando de Oliveira Justino e deputado estadual Titonho Beserra (PT), que foram conhecer o projeto.

O tuxaua Almir Macuxi e o professor Nilton mostraram, durante todo o dia, a saída que os indígenas de Truaru encontraram para superar as dificuldades a partir da consciência coletiva.

O tuxaua mostrou que com pouco recurso, incentivos do governo e parcerias é possível promover a auto-sustentabilidade dos índios, sem que seja preciso viver sob um regime de paternalismo e depender constantemente da boa vontade de políticos, entidades e governos que muitas vezes não assimilam as potencialidades das regiões indígenas.

Almir ressaltou que antes de iniciar sua administração chamou para conversar todos os integrantes da comunidade e cobrou união, para que todos tivessem obrigações e deveres. Sem mudar seus costumes e tradições, a comunidade foi buscar as parcerias que existiam mais que não era colocada em prática.

Uma dessas parcerias resultou na criação de peixe em cativeiro. Usando de sua prática como operador de máquina pesada, construiu um açude onde existia um lago natural.

Com ajuda da Secretaria de Estado do Índio, Fundação Nacional do Índio (Funai) e administração da Vila do Taiano, foi construída uma barragem com cerca de 100 mil metros quadrados que abrigam mais de 2 mil alevinos.

Os peixes e a ração foram doados pela Funai. O óleo diesel, transporte e assistência técnica fornecidos pelo Governo do Estado. O trator cedido pela administração do Taiano e a mão-de-obra prestada pela comunidade.

Os índios esperam produzir, em um ano e quatro meses, quase seis toneladas de tambaqui que abasteceram as famílias. O excedente será vendido no mercado de Boa Vista. Os serviços que demandam da manutenção do criadouro são feitos pelos 183 alunos da Escola Estadual Indígena Rosa Nascimento.

"Já estamos estudando a criação de outras espécies da região como o cará-açu e depois o tucunaré", disse Almir acrescentando que depois que foi implantada a barragem já pôde ser visto a presença de animais e aves que tinham se afugentado com a caça e pesca sem controle.

AGRICULTURA - Os indígenas cultivam em áreas de campo e mata milho e feijão com aproveitamento estimado em 95% da área cultivada. São seis hectares de feijão regional e mais quatro hectares de milho que já estão próximos de serem colhidos.
A safra deverá abastecer a comunidade e ser vendido o excedente, resguardado a semente para o próximo plantio.

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