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Comitiva de 15 tuxauas viaja sábado a Brasília

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
22 de Abr de 2004

Uma comitiva formada por 15 tuxauas viaja na madrugada de domingo para Brasília. Eles vão reforçar a caravana, composta por seis tuxauas, que viajou na madrugada de quarta-feira para o Distrito Federal com a finalidade de pressionar o Governo Federal a não homologar a terra indígena Raposa/Serra do Sol em área contínua.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou que homologará a reserva até o dia 27. "Vamos pedir uma audiência com as autoridades para levar a nossa reivindicação porque o CIR está lá pressionando em nome de todos os indígenas", disse Genival Costa.
O tuxaua afirmou que o objetivo é esclarecer a situação dos índios de Roraima. Eles são contra o apoio dado pelas etnias de outras regiões ao Conselho Indígena de Roraima em favor da homologação em área contínua.
"É uma injustiça porque quem deve estar brigando pela homologação são os índios que moram dentro da reserva, não os que desconhecem a situação da Raposa/Serra do Sol", afirmou.
O fato das Ong's (Organizações Não-Governamentais) favoráveis à causa indígena estarem em Brasília pressionando para que a homologação seja em área contínua, segundo o tuxaua, revela que "há interesses milionários por trás desse apoio". "Ficou bem claro que quem está fazendo tudo isso são os estrangeiros. Por isso, jamais vamos abrir mão para essas Ong's", reforçou.
O interesse de estrangeiros, na opinião dele, é por conta dos recursos naturais que existem no Estado. "Eles não estão brigando pelos índios, mas pela cobiça da mineração, água", disse.
CONFLITO - Os índios afirmam que a homologação em área contínua estimulará os conflitos entre índios e índios. Disseram que a questão fundiária já resultou em outros problemas, que causou inimizade entre os parentes.
"Já temos muitos problemas. Aqui no Contão já foram queimadas três casas. Somos impedidos de pescar nos rios Surumu e na parte de baixo do Cotingo, onde existem grupos ligados ao CIR", disse o tuxaua Genival.
O macuxi Valmir Afonso Batista, 34 anos, disse que no dia 25 de agosto de 2002 foi espancado na maloca Vilemom pelos parentes ligados ao Conselho. "Até hoje tenho duas costelas quebradas", disse, ao relatar que em outubro de 1998 o índio Doroci Pereira da Silva, do Monte Muriá 2, passou 48 horas na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).
"A Funai tem conhecimento disso, mas não fez nada", complementou. Genivaldo Costa ao afirmar que por conta desse conflito os índios deixam de ser atendidos na área de saúde, que é de responsabilidade do CIR e da Funasa (Fundação Nacional de Saúde). "Não se deve misturar saúde com política de terra", criticou o tuxaua.

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