Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: CARVÍLIO PIRES
20 de Fev de 2004
Do presidente aos membros da Comissão Externa da Câmara Federal que veio a Roraima analisar a questão que envolve a homologação da reserva Raposa/Serra do Sol, o pensamento é unânime: prudência antes da decisão. Entre os parlamentares federais, predomina o sentimento de que a Funai está corroída e deve ser reformulada ou mesmo extinta.
O presidente, deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), disse que a Comissão conheceu e ouviu depoimentos de indígenas, do setor produtivo e de entidades representativas. "Estamos muito preocupados. O que juntamos de depoimentos, vamos apresentar ao governo e dizer que não é apenas pelo laudo antropológico ou pelo desejo de uma minoria, índios ou não, que a questão será resolvida".
Micheletto informou que a preocupação é porque há um conflito que pode ser traduzido no jogo de interesses econômicos e religiosos, no qual índios se colocam contra índios.
Questionado sobre seu sentimento com relação à homologação em ilhas ou contínua, o presidente da Comissão evitou responder. Disse que além de o relatório não estar concluído, sua posição não permite um pronunciamento neste momento. "Mas é lógico que deve prevalecer o bom senso", comentou.
Ele disse ter sentido, em todos os segmentos sociais com os quais teve contato, uma grande decepção por falta de uma tomada de posição do governo. Esta demora estaria contribuindo para acirrar o conflito ainda mais. Por esta razão, pretende convocar o representante da Funai, já que em todas as comunidades indígenas visitadas, muitas críticas foram feitas contra a entidade.
Com relação a outras questões relacionadas à homologação, o parlamentar declarou: "Há o sentimento de segurança nacional. Não podemos fechar os olhos para um conflito desta natureza. Se não há interesse econômico e político por trás disso, há o jogo da Amazônia e o bode expiatório é o Estado de Roraima, pela capacidade agro-pastoril que tem".
Conforme Heinze, ao Estado resta apenas 7% de sua área para ser utilizada pelo setor produtivo. "Será que isso é bom para o Estado ou para o Brasil? Estamos numa região de fronteira entre três países: Brasil, Venezuela e Guiana. Nesse contexto, encontra-se a ação de Ongs ou entidades contrárias à criação de municípios e à instalação do Exército. Acho que nós, do parlamento brasileiro, não podemos deixar que a situação de Roraima fique como circunstância regional. O Congresso Nacional precisa se posicionar, para mais na frente não lamentarmos fatos que não queremos", disse.
"Quando há intriga de lideranças indígenas, envolvendo etnias diferentes, indica uma repercussão internacional. E a quem isso interessa? Hoje a solução de Roraima não passa por uma ou duas entidades. Ela passa pelo Congresso Nacional", complementou o parlamentar
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