Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
25 de Nov de 2004
A comitiva formada por 14 líderes da Raposa/Serra do Sol, que está em Brasília participando da Conferência Terra e Água, procurou a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados para pedir apoio na investigação dos atos violentos praticados supostamente por arrozeiros contra três comunidades, em Normandia, na manhã de terça-feira, quando o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, veio a Roraima.
A CDH aceitou o requerimento e hoje deverá marcar o dia da visita às aldeias destruídas. A deputada Irini Lopes (PT/ES), titular da Comissão da Câmara, já confirmou que integrará a comitiva que virá a Roraima nos próximos dias.
Em nome da comitiva, a advogada do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Joênia Wapicahana, também solicitou do assessor especial da Presidência, César Alvarez, uma força-tarefa federal permanente para evitar novos conflitos. Alvarez informou que havia requerido apoio do Exército Brasileiro para manter a ordem na região até que um efetivo da Polícia Federal fosse deslocado para apurar as denúncias.
Contatado pelo líder Macuxi, Júlio José de Souza, o presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, disse que vai "fazer o possível para evitar mais conflitos e cobrar rigor da Polícia Federal nas investigações".
VERSÃO - Segundo a versão do CIR, na madrugada de terça-feira, um grupo de quarenta pessoas lideradas pelos rizicultores Paulo César Quartieiro, Ivalcir Centenário e Ivo Barili destruiu as aldeias Jawari, Homologação, Brilho do Sol e o retiro São José. Em Jawari, além de derrubarem e queimarem as casas, os agressores ainda balearam o índio macuxi Jocivaldo Constantino, 30 anos.
A vítima foi atingida na cabeça e no braço por dois disparos de revólver calibre 38 e está internada no Pronto Socorro de Boa Vista. Outro indígena, Nelson da Silva Macuxi, da comunidade Jawari, está desaparecido e no local onde foram encontrados os seus documentos havia manchas de sangue no chão, segundo o CIR.
Na madrugada de ontem, as polícias Federal, Militar e Civil, acompanhadas de agentes da Funai, foram às comunidade para iniciar a investigações. Segundo informações repassadas pelos tuxauas, o Exército Brasileiro enviou soldados para a aldeia Pedra Branca onde estão concentrados indígenas ligados ao CIR.
O coordenador do CIR, Jacir de Souza Macuxi, registrou a denúncia de destruição das três aldeias e do retiro São José na Polícia Federal e solicitou a prisão preventiva dos culpados pelos atos violentos ocorridos ontem.
Em nota, a Diocese de Roraima repudiou as sucessivas violências praticadas por arrozeiros contra indígenas da Raposa/Serra do Sol e iniciou uma campanha para adquirir agasalhos e alimentos para os indígenas das aldeias destruídas.
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