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Comissão de Acompanhamento da Assistência Permanente à Saúde Indígena divulga posicionamento

Boa Vista News-Boa Vista-RR
12 de Dez de 2005

Nós, lideranças indígenas dos povos Macuxi, Ingaricó, Wai-Wai, Taurepang, Wapichana, Sapará e Patamona nos reunimos em Boa Vista para lutar por saúde indígena. Estamos extremamente preocupados com a gravidade que se avança na situação da saúde indígena no estado de Roraima, em que se encontram nossos povos indígenas morrendo por problemas na assistência à saúde de nossas comunidades. Nossa população total hoje é de mais de 32000 indígenas vivendo em 260 comunidades pertencentes ao Distrito Sanitário Indígena do Leste de Roraima.

Nas nossas comunidades nos anos de 2000 a 2003 diminuiram muito os casos de doenças, como Malária, Tuberculose, Leishmanioses, Diarréias e Pneumonias. Em 2004 e 2005 os problemas de saúde indígena voltaram a aumentar. No primeiro semestre deste ano aconteceram 1726 casos de Malária nas comunidades indígenas, sendo a maioria localizados nas áreas de fronteira com a Guiana e
Venezuela, onde o acesso é difícil necessitando de apoio de aeronaves.

A mortalidade também continua alta atingindo principalmente nossas crianças, onde aconteceram 19 mortes no primeiro semestre deste ano, com um Coeficiente de Mortalidade Infantil de 35 por mil nascidos vivos.
A partir de 2003 e 2004 quando a FUNASA passou a assumir a administração dos recursos para compra de horas de vôo, medicamentos, combustíveis e equipamentos, aconteceram muitos problemas que prejudicaram a assistência às comunidades, devido principalmente à falta de transportes e comunicação, estando a maioria dos carros sucateados e o número de radiofonias muito pouco para atender as nossas necessidades. Há três anos não são comprados carros, barcos, bicicletas e radiofonias, e faltam também microscópios, bombas de nebulização, balanças, mobiliários e outros equipamentos essenciais.

Na parte de engenharia e saneamento, não são mais repassados materiais de construção para reformas e ampliações dos postos de saúde, as construções dos pólos-base pararam com uma única comunidade atendida, e os projetos de abastecimento de água prometidos ficaram em número muito abaixo da nossa necessidade. Os atrasos constantes nos repasses para o convênio provocam atrasos nos pagamentos para os profissionais, agentes de saúde e fornecedores, o que prejudica a continuidade da assistência na área.

Estamos também muito preocupados com a situação dos nossos parentes internados na Casa de Saúde do Índio - CASAI/RR, devido à falta de alojamentos e dormitórios adequados, ameaças de falta de alimentação e medicamentos, e a falta de transporte para retorno dos pacientes com alta que provoca uma super-lotação no hospital.

Consideramos que para resolver todos estes graves problemas que foram apresentados é preciso ter como Coordenador Regional da FUNASA em Roraima uma pessoa que mereça a confiança e a aprovação das lideranças e organizações indígenas de nosso estado.

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