Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: REBECA LOPES
08 de Jan de 2004
O comércio do Centro parou em apoio a manifestação de produtores e índios
Lojas do Centro de Boa Vista, supermercados e postos de combustíveis fecharam durante a tarde de ontem. A decisão foi em apoio ao Movimento da Sociedade Organizada de Roraima, deflagrado na última terça-feira. O objetivo da manifestação é chamar a atenção do Governo Federal para uma solução que atenda aos interesses de todos quanto à homologação da Raposa/Serra do Sol.
A Associação Comercial e Industrial de Roraima (Acir), Federação das Associações Comerciais (Facir) e a Federação do Comércio do Estado (Fecor) e os sindicatos quando reunidas na sede da Acir, resolveram se solidarizar ao movimento que ganhou adesão no dia de ontem de grande parte dos comerciantes e dos donos de posto de gasolina.
Na avenida Jaime Brasil, centro da cidade, as lojas foram fechando aos poucos, sendo que por volta das 16h, todo o centro comercial estava com as portas cerradas. Nos bairros mais afastados, principalmente na avenida Ataíde Teive, a adesão foi tímida e o comércio abriu quase normalmente. As lojas de autopeças localizadas na avenida das Guianas aderiram 100%.
O presidente da Acir, Derval Furtado, disse na manhã de ontem ao anunciar a decisão, que a intenção seria atingir 100%. Quanto à situação no interior, ele afirmou que os comércios localizados nas saídas do Estado, como Pacaraima, fronteira com a Venezuela, e Rorainópolis, região Sul, haviam aderido a orientação.
Favorável ao movimento , o representante do Sindicato dos Lojistas do Estado de Roraima (Sindilojas), Alcides Modesto Mota, acredita que apesar de toda a crise vivida no comércio com a falta de circulação de dinheiro e das dificuldades, uma tarde não agravaria a situação. De acordo com ele, existem cerca de duas mil lojas na capital.
Na opinião de Modesto, a intenção é mostrar que a classe está preocupada e defende uma solução consensual e pacífica, além de ajudar a chamar atenção das autoridades federais no sentido de tomar alguma atitude para resolver a questão.
Conforme o presidente do sistema Fecor, Airton Dias, essa atitude já deveria ter sido tomada há mais tempo, porque o comércio de Roraima vem sofrendo com a falta de uma política clara de investimento, se referindo a questão fundiária e a questão econômica (falta de definição de uma matriz).
"O comércio é a fase terciária da economia. Nós temos em Manaus, uma Zona Franca; uma área de Livre Comércio em Santa Elena - Venezuela; e um regime especial em Lethen (Guiana). Nós estamos ilhados por essa questão fundiária. Todas as nossas áreas produtivas estão sendo esterilizadas e não há uma definição do Governo Federal", disse.
Para Dias, a classe política está fragilizada e sem condições de defesa. Os que podem fazer, segundo ele, por uma questão ética, evitam assumir uma bandeira para desviarem-se de comentários que estariam se aproveitando do momento. "Os poucos com condições morais deveriam assumir essa bandeira de defesa, principalmente no Senado Federal".
Ao tomarem a decisão de baixar as portas, Dias afirma ser um ato de solidariedade, e também de clemência ao poder central para que não tome, nesse momento de fragilidade do Estado, decisões que venham a prejudicar ainda mais a situação
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