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Comerciantes reforcam manifestacoes em Roraima

CB, Brasil, p.16
08 de Jan de 2004

CONFLITO AGRÁRIO Comerciantes reforçam manifestação em RoraimaÍndios e fazendeiros invadem prédios e bloqueiam estradas pelo segundo dia, mas Funai diz que demarcação de reserva será mantida

Sandro Lima Da Equipe do Correio
Mais confusão em Roraima. No segundo dia de protestos organizados por índios e fazendeiros que são contra a homologação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, no noroeste do estado, eles invadiram prédios públicos e bloquearam as principais vias de acesso a Boa Vista. Ontem, a desordem aumentou com a adesão de comerciantes e donos de postos de gasolina aos protestos. Houve uma corrida aos postos para abastecer os carros. Devido aos bloqueios, já há bastante acúmulo de lixo na capital, uma vez que os caminhões da limpeza não têm acesso ao aterro sanitário.   A sede da Funai, em Boa Vista, teve as portas arrombadas durante a madrugada e os arquivos e computadores foram vasculhados. Gilberto Macuxi, que liderou a invasão, afirmou que só sai do local depois de obter uma resposta do governo. As sedes do Ibama e do Incra também estão ocupadas pelos índios.   O presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, disse estar preocupado com o clima de desordem na região. Segundo ele, o governo não vai recuar e continua decidido a oficializar a demarcação da área indígena. Meia dúzia de agricultores estão criando um clima antidemocrático, mas não vão conseguir impedir a homologação da reserva indígena. Para ele, a maioria dos índios é favorável à reserva. Dos 15 mil índios que vivem na região, 4 mil estariam contra a homologação.   Para o padre Edson Damian, da diocese de Roraima, os índios contrários à reserva foram cooptados e iludidos pelos fazendeiros. Os 25 funcionários da Funai estão tentando convencer os índios das vantagens provenientes da homologação da reserva.   De acordo com Damian, também houve uma tentativa de ocupação da catedral de Boa Vista, mas a Polícia Militar impediu a invasão. Na madrugada de ontem, cerca de 200 pessoas invadiram e depredaram a sede da missão indígena do Surumu.    Reação Para tentar acabar com os protestos e o clima de desordem, o Ministério Público de Roraima entra hoje na Justiça com pedido de reintegração de posse dos prédios públicos invadidos e de desobstrução das estradas que dão acesso à capital. Até o fim da semana, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos receberá o governador de Roraima, Flamarion Portela, e a bancada do estado para tratar do problema da homologação da reserva.   O encontro foi combinado em uma conversa telefônica que os dois mantiveram ontem. Portela é contra a homologação da reserva. Ele diz que as plantações de arroz dos núcleos rurais na área da reserva são fundamentais para a economia do estado.   A Polícia Federal também trabalha para libertar os três missionários seqüestrados pelos índios e fazendeiros. Ontem, uma delegada e três agentes da PF foram à aldeia Surumu, a 220 quilômetros de Boa Vista, mas voltaram sem os missionários. Para libertá-los, os índios exigem uma resposta do governo às suas reivindicações e pedem a presença da imprensa no local.   A decisão do ministro Thomaz Bastos, de homologar a reserva até fim do mês, desencadeou a série de protestos liderada por plantadores de arroz e índios. Eles não querem que a área seja homologada como contínua, o que inclui as cidades e as plantações dentro de seus limites. Com isso, quem não é índio teria de ir para outro local.

CB, 08/01/2004, 16

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