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Com taxa de retorno menor, Aneel aprova edital para leilão de linhas de transmissão

Valor Econômico, Brasil, p. A2
06 de Jul de 2016

Com taxa de retorno menor, Aneel aprova edital para leilão de linhas de transmissão

Daniel Rittner e Camila Maia | De Brasília e São Paulo

A segunda etapa do leilão de linhas de transmissão que não despertaram interesse do mercado em tentativas anteriores ocorrerá no dia 2 de setembro. O edital foi aprovado ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Serão oferecidos 22 lotes, que somam 6,6 mil quilômetros de extensão e investimento total de R$ 11,8 bilhões.
Apesar do relativo sucesso obtido no primeiro leilão de transmissão do ano, que foi celebrado pelo setor por conta das condições mais atrativas para os empreendedores, a Aneel aprovou uma redução na taxa de retorno dos projetos a serem licitados em setembro, saindo de 9,5% para 8,5%. Isso aconteceu porque o limite de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES ) para os projetos considerados para o leilão voltou para o patamar de 70%. Anteriormente, o limite havia sido reduzido para 50%.
As novas instalações serão localizadas em nove Estados: Bahia, Ceará, Goiás, Espirito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. À exceção de um lote, que terá prazo de 48 meses para entrar em operação, o prazo de conclusão para todos os demais é de 60 meses. O cronograma da Aneel prevê a assinatura dos contratos de concessão, com 30 anos de vigência, no dia 25 de novembro.
A sistemática do novo leilão reproduz, em linhas gerais, as regras da disputa anterior. Lotes "empacados" em licitações anteriores foram subdivididos em grupos menores. Para essa etapa, a Aneel propôs a introdução de um grau de vinculação entre "lotes condicionantes" e "lotes condicionados". Caso os primeiros não recebam proposta, a licitação dos "condicionados" ficará automaticamente descartada.
Para a disputa de setembro, foram incluídos os lotes licitados anteriormente e que não tiveram interessados. A Receita Anual Permitida (RAP) máxima oferecida, no total, é de R$ 2 bilhões. Vencerão aqueles que oferecerem maior deságio em relação ao preço máximo. Segundo cálculos da Aneel, a construção dos 6,6 mil quilômetros de transmissão deve resultar na criação de 24 mil empregos diretos.
Em abril, no primeiro leilão de transmissão realizado neste ano, o governo teve sucesso em 14 dos 24 lotes oferecidos ao mercado. O certame ocorreu dias antes da votação da abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff. O senador Eduardo Braga (PMDB-AM), então ministro de Minas Energia, disse na época que o resultado era positivo e atribuiu a falta de oferta nos demais lotes ao cenário de fortes incertezas políticas.
Para atrair mais interessados, houve flexibilização dos prazos de construção dos empreendimentos, que costumava ser de 36 meses. O atraso nas licenças ambientais levou o governo a reavaliar o cronograma.
Também houve aumento das taxas de retorno praticadas e das condições de financiamento do BNDES. Mesmo assim, grupos mais tradicionais do setor ficaram fora da disputa.

Valor Econômico, 06/07/2016, Brasil, p. A2

http://www.valor.com.br/brasil/4625635/com-taxa-de-retorno-menor-aneel-…

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