GM, Relatorio Gazeta Mercantil, p.3
27 de Mai de 2004
Com a recém-criada Abraf, os produtores buscam ação política
A Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), criada em dezembro de 2003, começou com o pé direito. A entidade teve boa parte de suas reivindicações atendidas no início de fevereiro passado com o lançamento, pelo governo federal, do Programa Nacional de Florestas 2004-2007. A iniciativa surpreendeu os empresários. "Ficamos bem impressionados com a proposta", afirma o presidente da Abraf e diretor da Aracruz Celulose, Carlos Aguiar.
A associação tem 20 sócios e reúne companhias de diversos segmentos que utilizam florestas plantadas, como celulose e papel, energia, painéis e produtos sólidos de madeira. "A Abraf pretende ter um caráter mais político que a Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), essencialmente ligada aos aspectos técnicos da produção e a quem devemos boa parte dos avanços da indústria florestal nas últimas décadas", afirma o presidente da nova entidade.
"Apagão florestal"
A Abraf surge para tentar reverter o atual quadro do setor, que vive um impasse com a escassez de madeira de florestas plantadas. "Estamos prestes a viver um apagão florestal", diz Aguiar. Estima-se em 200 mil hectares o déficit anual do País, que possui hoje uma área produtiva de 300 mil hectares. "A demanda atual já é maior que a oferta, e as duas curvas se afastarão cada vez mais uma da outra, de forma infelizmente irreversível no curto prazo, transformando o Brasil em um grande importador de madeira", afirma Aguiar. Alguns setores e áreas já começam a passar por dificuldades, como o Sul do Brasil, onde já há falta de pinus para a indústria moveleira. Em 2003, pequenos volumes foram importados do Mercosul.
A tendência é que esse déficit aumente rapidamente nos próximos anos, uma vez que a expansão da área florestal não está acompanhando o ritmo de crescimento do consumo. "Além da limitação do crescimento de setores que usam a madeira como matéria-prima, a escas-sez do produto pode aumentar a pressão sobre florestas nativas, em especial por parte de setores menos organizados", destaca Aguiar.
Inserção de pequenos e médios
Para reverter este quadro, a Abraf vê um única saída: a inserção de pequenos e médios produtores rurais na atividade silvícola. O atual modelo concentrou os plantios nas grandes empresas que, sediadas perto de grandes centros urbanos, não têm para onde crescer. Para isso, precisa do governo para garantir linhas de crédito adequadas, programas de fomento e assistência técnica. Os três itens foram contemplados no Programa Nacional de Florestas. As grandes empresas funcionariam como pólos de desenvolvimento, usando sua capacidade de tecnologia, financiamento e de aquisição de madeira.
O setor quer ainda aumentar sua competitividade e, por isso, solicita a desoneração da produção, com otimização das exigências legais, taxas e tributos para comercialização de produtos florestais. Parte desta demanda também já foi atendida. O diretor do Programa nacional de Florestas, Tasso Rezende de Azevedo, lembra que foi publicada uma portaria alterando regras para exportação de produtos florestais. O Ministério do Meio Ambiente aceita também rever algumas legislações que são do interesse do setor. "Queremos facilitar o fomento da atividade", diz Azevedo. Estas questões serão discutidas no âmbito do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
A Abraf acredita que se sua agenda for bem-sucedida poderá, em um prazo de dez a 15 anos, elevar as exportações florestais de US$ 5,4 bilhões para US$ 15 bilhões anuais, aumentar a arrecadação de impostos para US$ 6 bilhões e incorporar mais de 2 milhões de hectares às reservas nativas das empresas, além de gerar novos empregos.
GM, 27/05/2004, p. 3 (Relatório Gazeta Mercantil)
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