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Com chuvas fracas, ONS revê previsão para reservatórios

OESP, Economia, p. B3
18 de Mar de 2014

Com chuvas fracas,ONS revê previsão para reservatórios
Projeção do nível de armazenamento para o fim deste mês nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste cai de 41,3% para 38,5%

Wellington Bahnemann e Renée Pereira - O Estado de São Paulo

As chuvas fracas da semana passada fizeram o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) rever o nível dos reservatórios do Sistema Sudeste/Centro-Oeste - o mais importante do País - para o fim de março. Inicialmente, o órgão esperava alcançar 41,3% de armazenamento na última semana do mês. Agora a previsão é de 38,5%, o que eleva os riscos do sistema elétrico.
Apesar da situação crítica, especialistas afirmam que o governo vai jogar todas as fichas nas termoelétricas para garantir o abastecimento do País durante o período seco, que vai de maio a outubro. O problema é o elevado custo da operação.
"Vamos ter de passar o ano inteiro com as térmicas ligadas", afirma Walter Froes, da CMU Comercializadora. Segundo ele, a realidade do sistema tem sido bem diferente daquela desenhada pelo governo.
Há duas semanas, o relatório do ONS mostrava um volume de chuva de 77% no rios do Sistema Sudeste/Centro-Oeste. No documento divulgado sexta-feira, a nova previsão estava em 65%. De acordo com o ONS, as bacias dos Rios Tietê, Grande, Paranaíba e São Francisco, onde estão localizadas as principais hidrelétricas do Brasil, tiveram chuvas de fraca a moderada intensidade na semana passada.
Para esta semana, não há expectativa de chuva nos Rios Grande e Paraná, responsáveis por 26% do armazenamento do Sistema Sudeste/Centro-Oeste. "O que mais preocupa é que depois de abril, as previsões chuva só diminuem. Os reservatórios devem chegar ao fim do período seco no limite", afirma Marcelo Parodi, da Compass Comercializadora.
Custo. A revisão do volume de chuvas para março elevou em 21% o custo marginal de operação (CMO) no sistema elétrico, de R$ 1.098,92 o megawatt/hora (MWh) para R$ 1.331,52 o MWh. Esse valor, calculado por um sistema computacional, serve de parâmetro para o acionamento das termoelétricas e também mede o custo da água nos reservatórios. Quando o CMO atinge 1.364,42 o MWh, o sistema indica risco de déficit de energia de 5%. Ou seja, seria mais barato cortar a carga do que gerar a energia.
Hoje, segundo relatório do ONS, todas as térmicas disponíveis no País - independentemente do tipo de combustível, se gás natural, óleo combustível, diesel ou carvão - estão em operação para garantir o abastecimento da população. Por outro lado, têm provocado um rombo bilionário no caixa das distribuidoras, que deverá ser resolvido com o pacote lançado na semana passada pelo governo federal. Boa parte dos custos deverá ser repassada para o consumidor de forma parcelada nas tarifas. Para esta semana, a previsão é que as termoelétricas produzam 17.872 MW médios, o que representa 26,06% da carga prevista para esta semana, de 68.573 MW médios.
Um alívio nas previsões do ONS foi a redução da carga de energia para março. Anteriormente, o ONS projetava expansão de 7% em relação a março de 2013. Agora, houve um revisão para alta de 6,2% - o crescimento continuará sendo impulsionado, especialmente, pelas temperaturas mais elevadas na região.

Racionamento preocupa Morgan

A possibilidade de racionamento de eletricidade já prejudica as expectativas para o crescimento do PIB brasileiro. Ontem, em suas previsões macroeconômicas de primavera, o "Spring Outlook", o banco Morgan Stanley reduziu a previsão para 2014 de 1,9% para 1,5%. Para 2015, a queda foi de 1,5% para 1,1%.
O banco também afirma que os problemas estruturais continuam e só devem começar a ser enfrentados após as eleições presidenciais de outubro. Para o Morgan Stanley, o racionamento poderia reduzir a expansão do PIB em quase 2 pontos porcentuais e provavelmente levaria o País à recessão.
/Fernando Nakagawa

Pacote eleva risco do setor elétrico, diz Fitch

Lucas Hirata

As novas medidas anunciadas pelo governo para apoiar as distribuidoras de energia elétrica são um sinal de aumento do risco regulatório no setor energético do País e são mais uma medida heterodoxa adotada para ajudar o setor a lidar com uma situação difícil, afirmou a agência de classificação de risco Fitch.
Segundo a Fitch, apesar de ser positiva para o caixa das empresas, a medida é outro indicador do crescente intervencionismo no setor que vai gerar obrigações para o governo e pressão sobre as tarifas das companhias nos próximos anos.
A injeção de capital de até R$ 21 bilhões em 2014 visa prevenir pressões sobre a liquidez nas distribuidoras e o repasse dos custos com energia por meio dos mecanismos de ajustes anuais. A maior parte do dinheiro, R$ 8 bilhões, virá de um financiamento bancário à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), onde é negociada diariamente a energia disponível das geradoras às distribuidoras. Outros R$ 4 bilhões virão dos cofres públicos - serão aportados pelo Tesouro Nacional na Conta de Desenvolvimento de Energia (CDE), que já havia sido financiado em R$ 9 bilhões para 2014. Finalmente, o governo vai realizar um leilão de energia nova, mais barata, no fim de abril, para ampliar a oferta às distribuidoras.
"Em 2014, o setor elétrico brasileiro estará em uma posição difícil, pois os níveis de principais reservatórios hídricos do país estão próximos aos níveis observados durante o racionamento de energia de 2001. Esta situação é agravada pelo fato de que o fim da estação das chuvas está se aproximando, em abril", afirmou a agência.
Segundo a Fitch, até janeiro, Light, CPFL, Eletropaulo, Cemig e Copel eram as empresas com maior exposição negativa à elevação de preços à vista. "Até essa data, as empresas tinham contas a pagar de energia no valor de R$ 127 milhões, R$ 106 milhões, R$ 83 milhões, R$ 75 milhões e R$ 74 milhões, respectivamente. Em fevereiro de 2014, a Fitch projeta que essas obrigações terão, no mínimo, dobrado para cada empresa, tendo em vista o preço médio mensal à vista de R$ 822,83/MWh é mais do que o dobro da taxa de R$ 383,67/MWh
em janeiro."

OESP, 18/03/2014, Economia, p. B3

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http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,fitch-ajuda-do-g…

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