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Coleção que escapou de incêndio no Museu Nacional está exposta em Brasília

G1 https://g1.globo.com
Autor: Marília Marques
07 de Set de 2018

A exposição "Índios: Os primeiros brasileiros", em cartaz no Memorial dos Povos Indígenas - em Brasília - pode representar um "último suspiro" para o acervo do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.

As 262 peças, que faziam parte da coleção do maior museu de história natural do mundo, estavam longe de casa quando o espaço foi destruído pelo incêndio do último domingo (2). Até dezembro, elas ficam em exposição na capital federal (veja serviço abaixo).

O número é pequeno frente aos 20 milhões de artigos que compunham o acervo, mas expressivo frente aos poucos itens que resistiram às chamas. Segundo o professor titular do Museu Nacional e curador da exposição, João Pacheco, essa é a única coleção que estava guardada fora do museu carioca.

"Essa coleção foi toda reunida por mim, dentro de um projeto de pesquisa que eu desenvolvo há muitos anos, com participação e apoio do CNPq e da Faperj", diz Pacheco, em referência às instituições de fomento e financiamento do museu e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ).

"Esta é a única coleção que restou, de todo o acervo do Museu Nacional. É a única coleção que temos. Todo o material foi destruído, todo o nosso acervo, 40 mil peças de todos os povos indígenas do Brasil."
A exposição percorreu outras seis cidades antes de chegar, em 28 de agosto, na capital federal. De acordo com Pacheco, o material corresponde apenas a uma "pequena amostra" do que havia de pesquisa antropológica e indigenista no Museu Nacional.

"[Foram destruídas] Peças de mais de 100 anos, peças recolhidas por viajantes no período do Brasil Império, peças mais recentes. Material do Brasil, da África, da Oceania."
"Também foi destruído material arqueológico muito precioso. A perda foi gigantesca e eu acho que, neste momento, essa exposição é a única coisa do Museu Nacional ainda existente, que se salvou do incêndio", diz o professor.

A exposição
A mostra fica em cartaz até 16 de dezembro. O espaço fica no canteiro central do Eixo Monumental, em frente ao Memorial JK e ao lado da Câmara Legislativa. No museu, os visitantes podem conferir imagens e documentos, principalmente, sobre os povos da região Nordeste.

Nos registros, as marcas da colonização, as narrativas indígenas e os desafios atuais vão levar o público a uma "viagem pela história do Brasil e dos povos indígenas", segundo os organizadores.

Incêndio no Rio
Um incêndio de grandes proporções destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, na noite de domingo (2). O fogo começou por volta das 19h30 e foi controlado no fim da madrugada de segunda-feira (3). A instituição completou 200 anos em 2018 e já foi residência de um rei e dois imperadores.

A maior parte do acervo, de cerca de 20 milhões de itens, foi totalmente destruída. Fósseis, múmias, registros históricos e obras de arte viraram cinzas. Pedaços de documentos queimados foram parar em vários bairros da cidade.Segundo a assessoria de imprensa do museu e o Corpo de Bombeiros, não houve feridos. Apenas quatro vigilantes estavam no local, mas eles conseguiram sair a tempo.

As causas do fogo, que começou após o fechamento para a visitantes, estão sendo investigadas. A Polícia Civil abriu inquérito e repassará o caso para a Polícia Federal, que irá apurar se o incêndio foi criminoso ou não.

"Índios: Os primeiros brasileiros"
Data: 28/08 a 16/12
Abertura: terça-feira (28), às 19h
Local: Memorial dos Povos Indígenas
Visitação: de terça a sexta (9h às 17h); sábados e domingos (10h às 17h)
Contato para escolas: 3344-1154 e 3342-1156
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https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2018/09/07/unica-colec…

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