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Cobrancas durante cerimonia

CB, Brasil, p.15
19 de Abr de 2005

Cobranças durante cerimônia
A Fundação Nacional do Índio (Funai) homenageou ontem 24 líderes índígenas do país. Em um auditório lotado com mais de 200 representantes de 24 etnias, o presidente da instituição, Mércio Gomes, ouviu dos índios elogios ao seu trabalho e críticas à atuação do governo nas áreas de saúde e educação. A Funai está aqui para lutar por nós. Precisam do nosso apoio porque estão sem recursos. Tem muita gente morrendo. A saúde tem que voltar a ser assunto deles” reivindicou, aos berros o cacique Raoni. Famoso na década de 80 ao obter o apoio do cantor inglês Sting para as causas indígenas, atualmente Raoni se recusa a falar português. Conta com o auxílio de um índio para traduzir o que diz.
Raoni não está sozinho em suas reivindicações. Sentado ao lado do presidente da Funai, o cacique Jaci Macuxi acusou a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) de não conseguir prestar um bom serviço de assistência médica às comunidades. Precisamos lutar para que a saúde melhore. A Funasa não está fazendo um bom serviço. Era melhor na época da Funai”, afirmou Jaci. Ele é líder de uma das quatro etnias beneficiadas pela homologação da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. A Funasa reconhece que os indicadores da saúde indígena estão piores do que os da média nacional, mas informa que, desde 1999, quando o órgão passou a ter essa atribuição, a situação melhorou bastante. Os índices não estão nem perto do ideal. Mas muita coisa mudou. Em 1998, por exemplo, a taxa de mortalidade infantil era de 112 mortos para cada 1000 nascidos. O número caiu para 47”, disse o diretor da Funasa, Alexandre Padilha.
Protesto
Minutos antes do encerramento da cerimônia, Lázaro Gonzaga de Souza, da etnia Kiriri, driblou a segurança pegou o microfone e fez um protesto: A gente não tem nada que comemorar. Desde que o homem branco pisou na nossa terra. Pisou tão forte e tão doído que ainda hoje sentimos”, criticou. Gonzaga reclamou ainda da falta de saúde, educação e do fato de as terras não serem suficientes. A gente só pode comemorar quando tem acesso à morada, à saúde e à educação”, acrescentou o líder indígena.
Mércio garantiu que 80% das terras indígenas foram homologadas e prometeu que, no prazo máximo de quatro anos, todas as 223 áreas restantes estarão regularizadas. Acompanhadas pelo presidente da Funai, as lideranças foram ao Congresso, onde foram recebidos pelos deputados Perpétua Almeida (PC do B-AC) e Eduardo Gomes (PSDB-TO). Mércio cobrou dos parlamentares mais dinheiro para acelerar o processo de demarcação. O nosso orçamento é de R$ 107 milhões. Fizemos um crédito suplementar de R$ 63 milhões e contamos com a ajuda dos senhores para conseguir”, explica.
Os homenageados na cerimônia de ontem eram os mais velhos da suas tribos e são considerados sábios pelas comunidades. É das mão deles que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai receber vai receber um documento com as reivindicações da comunidade, principalmente para a saúde. Neste ano cerca de 20 crianças índias morreram vítimas de desnutrição em tribos do Mato Grosso do Sul.

CB, 19/04/2005, p. 15

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