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CNBB repudia relatório da CPI da Funai; para bispos, indiciamento é tentativa de intimidação

Radioagência Nacional radioagencianacional.ebc.com.br
Autor: Maíra Heinen
22 de Jun de 2017

A CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - apresentou nessa quinta-feira (22), documento em que repudia o relatório da CPI da Funai e do Incra, aprovado em maio deste ano na Câmara dos Deputados. O organismo da Igreja Católica disse que o indiciamento de integrantes do CIMI - o Conselho Indigenista Missionário - é uma tentativa de intimidar a instituição.

Dos mais de 90 pedidos de indiciamento, 14 são de missionários do Cimi. O secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, afirmou que caso os membros da entidade sejam realmente indiciados, a conferência pode atuar juridicamente, apesar da autonomia do órgão indigenista.

O relatório foi defendido por deputados ligados ao agronegócio e bastante criticado por partidos da oposição. Dom Leonardo questionou a falta de pedidos de indiciamento para fazendeiros.

Sonora: "O que nos estranha é que não existe nenhum fazendeiro mencionado. Não se abordou a questão dos assassinatos dos povos indígenas pelas seguranças das grandes fazendas. Isso que nos causa muita estranheza. Por que justamente as entidades que estão a serviço dos povos indígenas são indiciadas e as pessoas que estão em disputa com terras indígenas não sejam apresentadas para um possível indiciamento?"

O relatório final da CPI da Funai e do Incra foi aprovado no final de maio e acusa servidores da fundação e do Instituto, antropólogos e dirigentes de organizações não-governamentais de fraudarem processos de demarcação de terras.

Os pedidos de indiciamento serão encaminhados para análise do Ministério Público e da Polícia Federal, que decidem se atendem ou não as sugestões.

* A CNBB também apresentou na nota preocupação com o aumento da violência no campo. A entidade citou os assassinatos ocorridos em Colniza no Mato Grosso e em Pau D'Arco, no Pará, que elevaram para 40 o número de assassinatos no campo, só no primeiro semestre deste ano. A conferência mencionou ainda as reformas trabalhista e previdenciária, propostas pelo governo e afirmou que elas apontam para um caminho de exclusão social e desrespeito aos direitos conquistados pelos trabalhadores.

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