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CNBB faz grande confusao, diz especialista

OESP, Geral, p.A9
27 de Fev de 2004

CNBB faz grande confusão, diz especialista Consultor de agência afirma que Constituição já veta privatização da água
DEMÉTRIO WEBER
BRASÍLIA - O consultor da Agência Nacional de Águas (ANA), do Ministério do Meio Ambiente e do governo do Distrito Federal, Antonio Eduardo Lanna, criticou ontem o enfoque da Campanha da Fraternidade 2004, que defende alterações na lei para evitar a privatização dos recursos hídricos no País. "Estão fazendo uma enorme confusão", disse Lanna, esclarecendo que a Constituição define a água como bem de domínio público.
"A privatização é nas companhias de saneamento, mas aí se trata de um serviço."
O tema da campanha, lançada anteontem pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é Água, Fonte de Vida. Até a Páscoa, a entidade quer coletar 1 milhão de assinaturas para pressionar o Congresso a alterar a Lei de Recursos Hídricos.
Para Lanna, no entanto, a legislação brasileira "é uma das mais avançadas do mundo" e a privatização da água só seria possível mediante mudança na Constituição. Ele elogiou a iniciativa da CNBB de discutir o assunto, mas acredita que os bispos tenham sido orientados por "especialistas desinformados".
Um dos autores do texto-base da Campanha da Fraternidade 2004 é Roberto Malvezzi, membro da coordenação da Comissão Pastoral da Terra. Ele admite que a Constituição veda a privatização da água. "Mas uma coisa é o bem em si e outra a sua exploração", ressalvou, condenando também a privatização das companhias de saneamento. "A Igreja defende que essas empresas permaneçam públicas."
A água é um produto escasso em regiões como Nordeste, Sudeste e até o Sul.
Por isso, a legislação prevê o regime de outorgas, em que o poder público concede licenças para a retirada da água bruta dos rios. Os clientes são grandes consumidores, como companhias de saneamento, empresas e plantadores de arroz. Em algumas áreas, eles já pagam pela água que utilizam. O preço é definido por comitês gestores com representantes do poder público, dos usuários e da sociedade.
Malvezzi e Lanna concordam que o regime de outorgas é o mais adequado para administrar a escassez de água, mas enfatizam a importância da participação popular nos comitês gestores. "Sem controle, a outorga pode ser um instrumento de monopólio", disse Malvezzi.

OESP, 27/02/2004, p. A9

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