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CNBB discute impacto social das obras no São Francisco

OESP, Vida, p. A29
06 de Abr de 2008

CNBB discute impacto social das obras no São Francisco
Projeto de transposição do rio será debatido na assembléia-geral, em Itaici

Tatiana Fávaro

Os bispos e arcebispos da 46ª Assembléia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Itaici, Indaiatuba, no interior de São Paulo, vão discutir na próxima semana a polêmica sobre a transposição do Rio São Francisco. O bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, que no fim do ano passado fez 24 dias de greve de fome contra a transposição, informou na manhã de ontem que o enfoque da discussão deverá ser muito mais em questões sociais do que técnicas.

Em dezembro, o grupo ligado a d. Cappio apresentou um documento ao governo federal com oito contrapropostas à transposição. Entre elas estava a redução do volume de água captado, de 28 mil para 9 mil litros de água. "Mas não são questões técnicas como essa que estarão em discussão na CNBB", afirmou d. Cappio ao Estado.

O bispo de Barra vai propor o debate sobre as dúvidas que ainda pairam e os projetos alternativos à transposição.

"Temos de dirimir essas dúvidas. A imprensa tem dito que a questão dividiu o episcopado, mas não é isso. Os bispos têm opiniões diferentes sobre assuntos diversos", disse ele. "O que deve ser discutido aqui é que a transposição não vai resolver o problema do Nordeste setentrional. O abastecimento pela transposição visa o uso econômico da água e não das comunidades carentes do Nordeste", argumentou d. Cappio. "Temos água acumulada em açudes e rios. O que faria a diferença seria a distribuição."

Entre os pontos a serem abordados, o bispo de Barra levantou as 530 obras hídricas previstas no Atlas Nordeste de Abastecimento Urbano de Água, proposto pela Agência Nacional de Águas (ANA). Segundo ele, a soma dos projetos da ANA e da Articulação do Semi-Árido atenderiam 44 milhões de seres humanos de dez Estados e não apenas quatro Estados, como prevê o projeto de transposição.

Até a próxima sexta-feira, aproximadamente 300 bispos e arcebispos na ativa e outros 80 que estão aposentados vão discutir e aprovar Novas Diretrizes de Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.

Ontem, após missa e assembléia realizadas pela manhã, d. Cappio disse que os trabalhos sobre as novas diretrizes têm como um dos principais focos o espírito missionário. "Não tratamos um ou outro ponto específico, mas sabemos que é necessário sair da sacristia, reforçar as comunidades eclesiais de base por meio das pastorais, movimentos sociais e evangelização porta a porta", afirmou.

Anteontem, o espaço ocupado pelos negros na Igreja dominou a assembléia. A discussão foi liderada pelo bispo de Paranaguá (PR), d. João Alves dos Santos, responsável pela Pastoral Afro-Brasileira. Dos 18 mil padres do clero brasileiro, pouco mais de mil são negros.

OESP, 06/04/2008, Vida, p. A29

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