VOLTAR

Clinton decepciona empresários

O Globo, Razão Social, p. 23
07 de Jul de 2009

Clinton decepciona empresários
Para ex-presidente, etanol brasileiro é sinônimo de devastação da Amazônia

Ele foi a mais aguardada participação do primeiro dia do Ethanol Summit. O ex-presidente americano Bill Clinton (1993-2001) apareceu, recebeu presentes típicos das regiões sucroalcooleiras e muitos aplausos. Mas acabou decepcionando os produtores de cana ao dizer que o Brasil ainda precisa provar que produz combustível renovável de forma sustentável. Essa advertência veio ao final de um dia inteiro de explicações sobre as vantagens da cana-de-açúcar como alternativa limpa e renovável ao petróleo e como saída para países em desenvolvimento das regiões tropicais.

- Se o mundo importar mais etanol do Brasil, isso pode significar a devastação da Amazônia - advertiu Bill Clinton, diante de uma plateia que já tinha visto e ouvido comprovações sobre a impossibilidade de produzir cana na Amazônia, por questões econômicas, de clima e de logística.
Bem, mas essa foi a única nota destoante da participação de Clinton na cúpula da cana-de-açúcar. Durante exatamente uma hora ele leu palavra por palavra de um discurso para atentos 1,5 mil participantes.
Reconheceu que o Brasil se esforça para resolver os problemas do efeito estufa; e sugeriu que podemos maximizar esse potencial ajudando outros países por meio da tecnologia de produção de etanol de cana-de-açúcar.
Além da opção do etanol como alternativa contra as emissões de CO2, ele citou as tentativas com carros elétricos. E disse que não se tratam de soluções excludentes:
- Todos os países vão preferir a solução biocombustível, primeiramente com carros flex.
Clinton também disse que está trabalhando com a possibilidade de transformar resíduos sólidos produzidos em grandes centros urbanos, em energia. E comentou o colapso da indústria automobilística nos Estados Unidos:
- É um problema político, mas principalmente de visão de futuro.
Os veículos biocombustíveis ocuparam espaço no mercado brasileiro, onde já representam 90% dos novos modelos. Nos Estados Unidos isso não aconteceu; os americanos jamais comprariam esses carros por temor ao desemprego.
O problema do aquecimento global, segundo Clinton, só será resolvido quando as soluções forem economicamente interessantes para os três setores: governo, empresas e sociedade. E bateu na mesma tecla: o etanol brasileiro é superior ao álcool de beterraba e ao álcool de milho, mas...:
- A produção em escala sem agredir o meio ambiente é um desafio. Sem frear a emissão de gases de efeito estufa, em 2100 a temperatura da Terra terá subido 9oC - advertiu. E emendou com a importância do trabalho de valorização dos créditos de carbono, que, ele sugeriu, seja feito de comum acordo entre Brasil e Estados Unidos:

- Acho que os brasileiros vão se beneficiar; mas terão de dar os primeiros passos e liderar o caminho para um futuro melhor.
Clinton propôs que quem quiser permanecer na Terra e torná-la produtiva deve receber benefícios equivalentes. Em sua opinião, Brasil e Estados Unidos devem adotar um sistema para reduzir as emissões de CO2 e deixar a terra intacta:
- Eu nasci no Arkansas, uma área essencialmente agrícola. O Arkansas agora quer voltar a plantar, o que levou o governo do Estado a fechar um acordo com destaque especial para a sustentabilidade.
Por fim, Clinton voltou a falar sobre a crise que, segundo ele, veio para mostrar que o mundo é mesmo interdependente:
- Todos precisam se ajudar na luta contra o aquecimento global e as desigualdades sociais - disse. - As turbulências que começaram com os loiros de olhos azuis nos Estados Unidos, atingiram também os loiros de olhos azuis europeus; na sequência, os loiros de olhos verdes da Islândia...

O Globo, 07/07/2009, Razão Social, p. 23

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.