Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: Elcimar Freitas
05 de Jul de 2004
O clima entre índios contrários a homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol em área contínua, arrozeiros e membros do Conselho Indígena de Roraima (CIR), contra a demarcação em ilhas, que estavam desde a terça-feira passada à beira de conflito na fazenda Providência, localizada na região do Jauari, voltou ao normal, pelo menos por enquanto.
Agentes da Polícia Federal, comandados pela delegada Adriana Araújo e enviados pela Superintendência da PF em Roraima para a região do conflito, e o administrador regional interino da Fundação Nacional do Índio (Funai), Rangel Morais, conseguiram contornar a situação.
O suposto seqüestro dos funcionários Gilberto Pereira da Silva e Cezar Augusto dos Santos Rosa Junior, da Funai, também foi solucionado pelos federais.
Os servidores, designados para ir até o Posto Indígena do Placa, na região do Contão para monitorar a situação preocupante de um possível conflito indígena, estariam nas mãos de índios ligados à Associação dos Rios Kinô, Contingo e Monte Roraima (Arikon), Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (Sodiur) e Aliança de Integração e Desenvolvimento das Comunidades Indígenas (Alidcir).
Gilberto e Augusto dos Santos afirmaram que não estavam como reféns nas mãos dos índios contrários à demarcação em área contínua. Eles garantiram que acompanharam os índios até a região de Água Fria por livre e espontânea vontade.
Afirmaram também que em nenhum momento foram maltratados pelos indígenas que foram à região do Jauari porque índios ligados ao Conselho Indígena de Roraima (CIR) estariam construindo duas malocas nas proximidades da fazenda Providência, do empresário Paulo César Quartiero.
Malocas - A construção das malocas, segundo afirmaram índios da Arikon, Alidcir e Sodiur começou depois que indígenas do CIR tomaram conhecimento de que a ministra Ellen Gracie, vice-presidente do Superior Tribunal Federal (STF) indeferiu o pedido de suspensão da liminar concedida pela desembargadora Selene Almeida que suspendeu os efeitos da Portaria 820/98, excluindo núcleos urbanos e rurais já constituídos, além de equipamentos, instalações e vias públicas federais, estaduais e municipais. As malocas teriam sido construídas para forçar a homologação da reserva em área contínua. Depois de acertos com os agentes da Polícia Federal e o administrador interino da Funai, Rangel de Morais, as malocas foram desfeitas e a entrada da fazenda liberada.
Paulo César Quartiero, que acompanhou o desenrolar da crise na área indígena ,disse que teve seu direito de ir e vir privado pelos índios ligados ao CIR.
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