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Clima fica tenso entre índios e Ibama

Diário do Pará - http://diariodopara.diarioonline.com.br/
26 de nov de 2010

A pintura para a guerra se manteve escondida por trás da tinta que simboliza a expectativa por uma cerimônia. Arcos e flechas nas mãos dos guerreiros, mostrando um clima de insatisfação. Horas antes da audiência pública coordenada e presidida pelo Ibama, na última quarta-feira, para discutir a construção de uma hidrelétrica no rio Teles Pires, na divisa do Pará com o Mato Grosso, uma reunião entre os índios Munduruku e o representante da Funai serviu para mostrar o posicionamento tomado pelas aldeias. Mesmo com os caciques se pronunciando na língua nativa, não era preciso tradução para ter uma ideia da opinião das lideranças.

O líder indígena Jairo Kõrap, da Associação Extrativista Rio Kabitutu, não só se pronunciou contrário ao projeto, mas também traduziu as declarações contrárias das demais lideranças, a exemplo do capitão da aldeia Teles Pires, João Karikafõ.

Atento às declarações dos índios, um representante da Funai permaneceu quieto e explicou que estava ali apenas como expectador, para acompanhar os questionamentos que seriam apresentados pelas comunidades da área afetada pelo projeto.

Frederico Menezes, representante da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), do Ministério das Minas e Energia, insistiu que o projeto ocuparia uma pequena parte, pouco mais de 2% do território de Jacareacanga.

Também foi destacado que a compensação financeira anual, de R$ 2,4 milhões, que será paga ao município, é superior ao que será pago, por exemplo, ao município de Paranaíta, no Mato Grosso, que terá uma porção bem maior do seu território afetada pelo projeto.

Nem mesmo a apresentação detalhada do projeto conseguiu convencer os indígenas. De acordo com a proposta, a usina hidrelétrica será construída dentro de um espaço de 300 metros sobre o rio Teles Pires, alcançando uma área alagada de 152 mil metros quadrados, por uma extensão de 63 quilômetros, com a maioria dentro do Estado do Mato Grosso, nos municípios de Paranaíta e Alta Floresta, onde já foram realizadas audiências públicas.

O prefeito da cidade, Raulien de Oliveira Queiroz, que é servidor licenciado da Funai, foi um dos últimos a tomar a palavra. "Concordamos, sim, com o projeto. Mas sabemos que haverá impactos, não só ambientais, mas também econômicos e sociais. Impactos positivos e negativos. Por conta disso, sugerimos que seja criado um grupo de trabalho que possa estabelecer um tipo de consórcio, para que todos os municípios que tenham seus territórios afetados, máxima ou minimamente, sejam beneficiados", resumiu Raulien Queiroz.

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