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Clima fica tenso após ponte queimada

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: JESSÉ SOUZA
25 de Set de 2005

Enquanto cerca de três mil índios, seus convidados não-índios e autoridades festejavam na aldeia Maturuca ( 300 km da Capital) a homologação de forma contínua da terra indígena Raposa/Serra do Sol, um clima de tensão tomou conta da região.
Indígenas contrários queimaram uma ponte e ameaçam fazer outros atentados como forma de gerar um clima de instabilidade na reserva. No local da festa houve apreensão, mas não impediu que os festejos continuassem e nada foi mudado na programação que iniciou na terça-feira e termina hoje em Maturuca.
A Polícia Federal não cumpriu a promessa de enviar pelo menos 100 homens para manter a tranqüilidade na área e se viu obrigada a mandar um grupo pequeno de seis agentes para montar um posto de fiscalização na ponte queimada, no rio Urucuri, a 70 quilômetros de Maturuca. No local só passam carros pequenos e com muito cuidado.
Mesmo após facções contrárias à homologação terem incendiado as antigas instalações da Missão Surumu, onde funciona um centro cultural dos índios, na madrugada de sexta-feira para sábado passado, a Polícia Federal não enviou ninguém para a região.
Parte das centenas de convidados para a festa conseguiu voltar para Boa Vista em carros pequenos. Os seis ônibus e microônibus alugados para transportá-los estão proibidos pela PF de passar na ponte parcialmente destruída por medida de segurança. O fogo destruiu dois pontos da ponte, onde há grande risco de acidente se um veículo grande tentar passar.
Dois comboios formados por veículos pequenos saíram ontem pela manhã de Maturuca e conseguiram atravessar a ponte. Ainda há centenas de convidados que moram em Boa Vista e outros municípios impedidos de voltar para casa, enquanto a ponte não for consertada.
O secretário estadual do Índio, Adriano Francisco Nascimento, foi um dos que chegaram no momento em que o fogo foi ateado e, junto com um grupo que estava de passagem, conseguiu apagar o fogo e evitar a destruição completa da ponte.
Ao chegar em Maturuca, o secretário narrou aos milhares de participantes como se deparou com o incêndio, por volta das 3 horas da madrugada de quinta-feira. Disse que não conseguiu identificar os autores da ação porque não havia mais ninguém no local. Após ter ajudado a apagar o fogo, afirmou ter retornado para Surumu, em Pacaraima, e ligado para Boa Vista a fim de comunicar o incêndio e pedir ajuda do governo para recuperar os pontos incendiados.
Chegou a dizer que o Exército fora contatado a fim de que recuperasse a ponte no mesmo dia do incêndio, na quinta-feira, mas até ontem à tarde não apareceu ninguém para recuperá-la, nem do governo muito menos do Exército.
"Não vão estragar nossa festa", disse o líder de Maturuca, Jacir José de Souza, para as centenas de pessoas que estavam reunidas em uma grande maloca de palha construída especialmente para a ocasião festiva. "Aqui tem comida suficiente para alimentar todo mundo o tempo que for necessário", disse referindo-se aos 200 bois que as comunidades indígenas doaram para a festa para alimentar os milhares de participantes

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