O Globo, Ciência, p. 32
07 de Out de 2009
Clima: conta de energia chega a US$ 10 trilhões
Agência alerta para perigos da falta de investimento global em fontes renováveis
Remediar os estragos causados pelo aquecimento global vai sair caro para o planeta. Em relatório apresentado ontem em Bangcoc, na Tailândia, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou que será necessário investir, nas próximas duas décadas, US$ 10 trilhões em fontes renováveis, como biocombustíveis e energia nuclear.
A agência, que dá assessoria sobre energia a 28 países industrializados, alertou que, se não houver uma reviravolta na política energética mundial, as emissões de gases que provocam o efeito estufa vão mais do que dobrar em relação ao nível considerado seguro pelos cientistas.
Este aumento faria com que a temperatura média do planeta subisse 2 graus Celsius acima da registrada no período anterior à Revolução Industrial.
- Nossa mensagem é muito simples: se o mundo prosseguir com o atual programa energético, as consequências serão severas - alertou o diretor-executivo da AIE, Nobuo Tanaka.
- O modo como usamos a energia está no coração do problema, e, por isso, também deve fazer parte de sua solução.
Até 2030, 18 reatores nucleares por ano De acordo com Tanaka, o setor de produção de combustíveis fósseis - petróleo, gás e carvão - atingirá o pico em 2020. O setor é responsável por 85% de todas as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera.
O relatório da AIE prevê investimentos maiores em fontes renováveis já a partir da próxima década. Hoje, elas respondem por 18% da energia produzida. Em 2030, este percentual subirá para 33%.
Para atingi-lo, seria necessário construir 18 reatores nucleares e 17 mil moinhos de vento por ano. Além disso, cerca de 60% dos veículos teriam de ser híbridos ou elétricos.
A energia nuclear não será a única a receber atenção nos próximos anos. Outro projeto, ainda pouco testado, tem despertado interesse em muitos países: o armazenamento geológico do gás carbônico. Por este método, o gás é capturado logo após ser produzido, durante a queima de carvão.
A apresentação do estudo em Bangcoc antecipa as discussões programadas para dezembro , em Copenhague , quando autoridades de todo o planeta definirão um acordo climático para suceder o Protocolo de Kioto, cuja duração expira daqui a três anos.
As metas apresentadas pela AIE ainda provocam polêmica entre os países que assessora. A agência quer que este grupo de nações responda por 75% dos investimentos necessários para um novo programa energético.
Cerca de 40% da verba seria destinada a países em desenvolvimento, alguns deles emissores em potencial de poluentes. Estimase que a China, em 2020, será responsável por um terço das emissões globais de carbono.
O Globo, 07/10/2009, Ciência, p. 32
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.