A Crítica(AM) - http://acritica.uol.com.br/
Autor: Victor Affonso
16 de Nov de 2010
Livro de Lispector, "Doze lendas brasileiras", é influência para espetáculo encenado por grupo indígena nesta quarta-feira
"Como nasceram as estrelas", espetáculo que mistura dança, teatro e música, será encenado nesta quarta-feira, no Sesc Centro, a partir das 19h. Resultado de um projeto do Sesc nacional em parceria com a Cia. Vitória Régia, na ativa desde maio, o principal objetivo da peça é estimular a população indígena a resgatar sua cultura e tradições.
Uma iniciativa de três artistas do Rio de Janeiro - Brigitte Bentolila, Carlos Malta e Antonio Manso - junto com Nonato Tavares, do grupo local, o espetáculo foi encenado na última segunda-feira e terça-feira no município de Rio Preto da Eva. Trata-se de três textos de Clarice Lispector, retirados do livro "Doze lendas brasileiras": "Como nasceram as estrelas", "Iara" e "Irapuru". Traduzido para a língua tucano, o projeto conta com cerca de 45 indígenas, entre crianças, jovens e adultos.
"Não gosto da palavra 'resgate'... É mais uma procura para manter e lembrar das tradições do povo indígena", admite Nonato. "Não só as tradições mas também, e principalmente, a língua. Por isso há essa tradução", comenta. Para ele, a língua é algo fundamental para manter viva a cultura, ainda mais quando ela está ligada diretamente à fala oral, como é o caso deste povo. "É uma maneira de manter viva esta mitologia, a da 'contação' de histórias", acrescenta.
Inspiração
Já Brigitte Bentolila, atriz francesa que reside há 11 anos na capital carioca, está coordenando o trabalho. "Sempre achei os textos de Clarice Lispector instigantes. Ela tem uma forma de escrever singela e bonita, que consegue ser ao mesmo tempo irônica e direta", diz.
Foi esta admiração que a levou a querer apresentar obras de Lispector para as aldeias. "Eu e Nonato nos reencontramos em um evento em Rio Branco e falamos sobre este projeto, que foi tomando forma e se tornou real", revela.
Musicalidade
Brigitte fala, ainda, sobre a participação do músico Carlos Malta no projeto, alguém que ela considera "um grande artista do sopro". "É uma grande soma ao trabalho, pois é onde entra em cena a música", afirma. O próprio Carlos declara que é uma interação muito interessante: "Da mesma forma que nós ficamos impressionados com o som deles, com a capacidade que eles tem de sincronização, os indígenas se impressionam com o que é nosso".
Segundo Carlos, é algo bonito de se ver e ouvir pois é um som "mantrico". "Há ali um requinte característico da cultura indígena", conta. O músico traz algumas temáticas escritas por Villa-Lobos, além de composições próprias, a maioria interpretadas na flauta. "Vamos criando a trilha sonora. Ela tem marcação, mas as vezes acontece alguns improvisos. A música pontua o espetáculo; é o fio condutor", analisa.
"Como nasceram as estrelas" conta com encenação dos atores indígenas e narração, em portugues e em tucano. Vale conferir!
http://acritica.uol.com.br/noticias/Clarice-Lispector-preservacao-cultu…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.