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CIR reúne lideranças para discutir retirada de não-índios de reservas

Folha de Boa Vista
13 de Dez de 2007

Lideranças indígenas e representantes de órgãos federais estiveram presentes na 4ª Reunião Ampliada do Conselho Indígena de Roraima (CIR). O encontro é realizado quatro vezes por ano, reunindo os povos Macuxi, Wapixana, Taurepang, Yanomami, Yekuana, Ingaricó e Wai-Wai para discutir e propor diretrizes para a causa indígena.

A reunião começou na última segunda-feira e encerrou ontem, na Casa de Cura, na BR-174, em Boa Vista. Estiveram presentes lideranças das regiões Serras, Surumu, Baixo Cotingo, Raposa, Amajari, Taiano, Serra da Lua e Wai-Wai, que pediram apoio para solucionar os problemas com a violação de direitos humanos nessas áreas.

A questão fundiária das terras indígenas em Roraima esteve no centro do debate. Segundo o coordenador do CIR, Dionito José de Souza, a reunião serviu para um balanço do que foi feito durante o ano de 2007. "Defendemos a desocupação de todas as terras indígenas, com a saída dos fazendeiros e arrozeiros. Todos têm que sair", afirmou. Sobre o papel do Exército na retirada dos não-índios das terras, Dionito foi bastante enfático. "O Exército não está a nosso favor nem estamos esperando por eles. Contamos com a Polícia Federal, a Funai e o Comitê Gestor para a retirada dessas pessoas", declarou.

O projeto que prevê a construção de uma usina hidrelétrica na Cachoeira do Tamanduá, no rio Cotingo, interior da terra indígena Raposa Serra do Sol, não entrou na pauta dessa reunião, mas o coordenador do CIR afirmou que a construção pode ser autorizada em Brasília, mas não será aceita pelos povos indígenas de Roraima. "Somos muito desrespeitados. A comunidade não sairá da área de jeito nenhum, mesmo que esse projeto seja aprovado", destacou. O líder indígena ainda lembrou que eles não foram consultados sobre a construção dessa hidrelétrica.

O projeto de regulamentação da atividade mineradora em terras indígenas, que vem sendo discutido pelo Governo Federal desde 2004, também foi lembrado pelo coordenador do CIR. "Já encaminhamos uma documentação para Brasília, mostrando nossa posição contrária a esse projeto. Não fomos chamados pelo governo para discutir essa proposta", disse.

O coordenador também afirmou que os povos indígenas continuam recebendo ameaças constantes por parte de setores contrários à homologação contínua da Raposa Serra do Sol. "O branco quer chegar lá e dominar tudo. Os não-índios que foram retirados da Raposa deveriam agradecer por terem conseguido uma terra para viver. Saíram de lá e o governo ainda arrumou tudo para eles. Defendemos a demarcação das terras de forma contínua, e não em lotes, para evitar novas invasões. Dessa forma, todo mundo será beneficiado", afirmou.

Dionito ainda destacou que os povos indígenas buscam mais qualificação para enfrentar as adversidades do dia-a-dia. "Estamos na universidade buscando conhecimento e qualificação para nossos projetos, para que possamos desenvolver nossas terras da melhor maneira que pudermos", declarou.

O coordenador ainda destacou que em 2008 o CIR vai trabalhar em conjunto com a Hutukara - Associação Yanomami para defender a desintrusão da terra yanomami, no Norte do Estado. "Queremos a retirada dos garimpeiros e fazendeiros que invadiram ilegalmente a terra", frisou.

Ainda estiveram presentes na pauta da reunião temas como a saúde indígena, educação escolar diferenciada, projetos de desenvolvimento sustentável e a programação para a Assembléia Geral dos Povos Indígenas de 2008.

De acordo com Dionito, a assembléia deverá ocorrer de 6 a 10 de março do próximo ano, na comunidade do Barro, na região do Surumu. Os garimpos ilegais em áreas indígenas e a hidrelétrica do Cotingo deverão ser os assuntos de destaque na pauta do encontro, segundo o coordenador. A assembléia deste ano reuniu mais de 700 lideranças em fevereiro, na mesma comunidade.

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