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Cir rebate denúncias sobre saúde indígena

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
06 de Mar de 2005

O coordenador de saúde do CIR (Conselho Indígena de Roraima), Clóvis Ambrósio, rebateu as denúncias feitas pelo tuxaua do Contão, Genival Costa da Silva, e de integrantes da Alidcir (Aliança de Integração e Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima), divulgado ontem na imprensa, afirmando que o CIR estaria ausente na atenção à saúde indígena.
"Estamos colocando em prática um modelo de atendimento à saúde da população indígena nunca visto antes em Roraima", disse. "E as coisas funcionam, não em 100%, mas ninguém oferece saúde em 100%, nem o homem branco. Sempre haverá reclamação".
Ambrósio destacou os casos de crescimento da malária nas comunidades indígenas como uma das denúncias feitas pela Alidcir e fez questão de lembrar que entre os anos de 1986 até 1992 existiam surtos de malária nas comunidades indígenas. "Nessa época não tinha nenhum microscopista e muito menos laboratório para cuidar do controle da doença. Hoje temos mais de 60 laboratórios equipados onde fazemos os exames e estamos cuidando de todos os pacientes", disse.
Sobre a reestruturação do "sucateado" hospital São Camilo, Clóvis Ambrósio disse que a intenção do CIR é torná-lo um posto de referência de atendimento à saúde indígena.
"Queremos aumentar o número de profissionais para que se possa estruturar o hospital São Camilo, para que seja um ponto de referência como um posto de saúde bem estruturado para prestar assistência à população indígena daquela área", afirmou.
O coordenador disse que atualmente o hospital tem treze enfermeiros, três médicos, três auxiliares de enfermagem e quatro técnicos de laboratório, além de coordenadores e gerentes técnicos administrativos. "Precisamos de mais um odontólogo, mais médico e mais um enfermeiro", disse.
Outro fato denunciado na nota e também contestado pelo coordenador está a reivindicação para aquisição de mais 30 carros, além dos 21 já disponíveis pelo CIR.
"Os transportes que temos já estão sendo usados há mais de cinco anos e a distância aliada às precárias condições das estradas deixam os carros depreciados. Temos ainda que recuperar alguns e melhorar o transporte com uma nova frota de mais 15 veículos, e não 30 como estão dizendo", disse.
Entre as principais viagens feitas pelos transportes, citou que a distância de Boa Vista para terra dos Wai-Wai é um percurso de 410 km e, para a Raposa/Serra do Sol, são mais de 500 km.
As afirmações do coordenador se deram durante o encerramento da Oficina de Saúde com os mais de 400 agentes comunitários de saúde das 252 comunidades indígenas que o CIR está realizando na Casa de Cura Yekura Yano, desde o dia 1 o de março, para definir o planejamento estratégico de saúde do Distrito Sanitário do Leste.
Entre as ações da oficina está a elaboração da proposta de renovação do convênio com a Funasa, para atenção da saúde nas comunidades indígenas do Distrito Sanitário do Leste.
Clóvis Ambrósio afirmou que a proposta apresentada foi aprovada pelo Conselho Distrital, entidade formada por nove conselheiros indígenas indicados pelas principais comunidades que fazem parte do Distrito Sanitário do Leste, mais cinco membros das organizações indígenas e mais representantes de organizações governamentais e não governamentais, tais como Funasa, Funai, Sesau, CRM, CRO e Diocese.
"Esse plano aprovado será encaminhado para a Funasa, que dará seu parecer concordando ou não com o plano apresentado", ressaltou. O atual convênio encerra dia 31 de maio.

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