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29 de Nov de 2008
O coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Dionito José de Souza, disse que não são verdadeiras as afirmações do governador Anchieta Júnior (PSDB) em relação ao investimento feito para a saúde indígena e afirmou que o valor R$ 10 milhões por ano "é muito pouco".
"Nós pagamos com esse dinheiro 500 profissionais que ficam em áreas indígenas. Se for fazer a divisão, é muito pouco. Não existe valor alto. Por que um trabalhador não pode ganhar bem? Só o governador e o deputado podem?", questionou.
Ele explicou que antes a Funasa era a responsável pela saúde indígena. "Eles agora querem queimar [desmoralizar] o CIR. Foram tirando tudo que antes davam para ajudar no tratamento dos índios, como vacinas, remoção de pacientes, combustível e medicamentos. Agora querem nos culpar. Mas foi o CIR que controlou a malária, demos total cobertura vacinal e fizemos nossa parte. O governador devia olhar para a saúde dele, pois no hospital não tem nem diporona. Por que não se preocupa para onde vai o dinheiro que ele recebe para investir?", explicou.
Dionito disse ainda que o CIR dispõe de 21 veículos, todos sucateados, pois desse total apenas 6 estão em condições de rodar. As declarações do coordenador do CIR foram em conseqüência de Anchieta Júnior ter feito duras críticas ontem a atuação das ONGs na Amazônia, durante palestra sobre "desenvolvimento sustentável para Roraima", no I Encontro Estadual de Magistrados da Região Norte.
"Nós não estamos brincando com a saúde indígena. Muito pelo contrário, a Funasa está com os recursos prontos para serem repassados ao CIR tão logo o órgão resolva suas pendências e volte a estar apto a receber recursos federais e continuar a prestar a assistência na saúde aos povos indígenas", afirmou.
O diretor de saúde indígena Paulo André também retificou a informação dada pelo coordenador da Funasa Marcelo Lopes que o CIR estaria inadimplente. "Isso já está resolvido e na próxima semana deve ser liberada a parcela para apagamento de pessoal. As informações dadas pelo Dr. Marcelo Lopes repercutiram de forma negativa. As lideranças nos procuraram preocupadas que o CIR abandone a saúde, mas continuamos trabalhando", comentou.
"Algumas lideranças indígenas em Brasília tiveram reunidas com o diretor do departamento de saúde indígena da Funasa, que garantiu que o recurso será liberado na próxima semana, em torno de R$ 2 milhões para pagar três meses de salário atrasado", frisou.
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