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CIR ganha prêmio de Direitos Humanos

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
06 de dez de 2002

O CIR (Conselho Indígena de Roraima) receberá do presidente Fernando Henrique Cardoso, em solenidade no dia 12 de dezembro, o Prêmio Nacional de Direitos Humanos 2002. O coordenador do CIR, Jacir José de Souza, representará a organização na entrega da honraria.
O prêmio foi criado em 1995 com o objetivo de ser uma homenagem do Governo Federal "concedida a pessoas e instituições cujas ações em prol dos direitos humanos sejam dignas de reconhecimento e valorização por toda a sociedade". Serão entregues diploma, medalha e R$ 30 mil.
A Secretaria de Estado dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça é quem organiza o prêmio com o apoio da Unesco. Concorrem, em categorias distintas, organizações não-governamentais, personalidades, estudantes secundaristas e universitários.
A advogada do CIR, Joênia Batista Wapichana, considera que a escolha da entidade é o reconhecimento nacional e internacional do trabalho em defesa dos povos indígenas de Roraima e do Brasil. "Defender os direitos indígenas, é defender os direitos do ser humano", afirmou.
Joênia destaca a atuação do CIR no fortalecimento da autonomia indígena, respeito e proteção judicial e extrajudicial de seus interesses e do meio ambiente, além da preservação do patrimônio artístico, estético, histórico paisagístico e cultural dos povos.
"Nosso trabalho principal é a luta pelo reconhecimento do direito fundamental à terra, mas temos ações específicas na educação bilíngüe diferenciada, saúde e auto-sustentabilidade das comunidades, como exemplo o projeto de gado 'Uma Vaca para o Índio'", destacou a advogada.
ARROZEIROS - A advogada afirma que a entidade respeita a manifestação dos arrozeiros na praça do Centro Cívico, pois o Brasil é um país democrático. Destaca que esse tipo de protesto não ajuda a resolver o impasse criado entre índios e fazendeiros em Roraima, porque gera preconceito e discriminação contra os nativos.
"Nós percorremos o caminho da Lei, nos valendo de direitos assegurados na Constituição Federal. Se os arrozeiros querem protestar, porque não o fazem contra o Superior Tribunal de Justiça?", criticou.
Afirmando não querer polemizar a questão, a advogada disse que sete arrozeiros não podem definir o desenvolvimento de Roraima à revelia da Constituição. "Nós, indígenas, já participamos do desenvolvimento", frisou.

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